A edição de 2026 do festival de Jazz Valado vai acontecer repartida por cinco semanas, entre 26 de Abril e 6 de Junho, entre a cidade da Nazaré e a vila de Valado dos Frades. O jazz vai estar na Avenida Marginal da Nazaré, na Praça 25 de Abril, no Cine-Teatro da Nazaré, na Sala da Biblioteca de Instrução e Recreio (BIR) e no Teatro Chaby Pinheiro num ano cheio de significado pelo centenário do nascimento dos magos John Coltrane e Miles Davis.
O primeiro concerto em maior destaque a programação da 29ª edição do certame terá lugar no Cine-Teatro da Nazaré (sábado dia 2 de Maio) e traz a voz de Ana Bacalhau junto da Big Band da Nazaré. Formada no Hot Clube de Portugal, onde iniciou o seu percurso nos standards de jazz, Ana Bacalhau regressa a esse universo numa especial ocasião junto de uma formação nascida em 1999 e consolidada num percurso de seis discos editados. No sábado seguinte (9 de Maio) e no mesmo local, aterra o baterista e compositor Kassa Overall. Reinventor da nova cena jazz de Nova Iorque, Overall constrói uma música que dissolve fronteiras entre o jazz, o hip hop e electrónicas de vanguarda. Estará acompanhado por Emilio Modeste nos saxofones, Matt Wong ao piano e sintetizador e Bendji Allonce na percussão e vozes.
Os fins-de-semana do festival passam depois para Valado dos Frades, para a intimista sala BIR. Para receber Mário Costa (sexta, 15 de Maio), num trio composto para formalizar “Homo Sapiens”. Programa que escutámos atentamente e aqui reportámos, na altura com Emile Parisien nas palhetas. Ao Valado, Costa virá com outro saxofonista francês, Christophe Monniot, e o inseparável contrabaixista Bruno Chevillon. Depois, a 16 de Maio (sábado), será a vez da guitarrista Eugénia Contente fazer a festa junto de Gabriel Salles Silva no baixo e Luís Delgado na bateria. Um trio propulsor que vimos no ano transacto actuar no Ovar em Jazz.
O segundo bloco de concertos na BIR trará Jéssica Pina (sexta, 22 de Maio), trompete e voz a que se juntam os teclados de Anderson Ivo e a bateria e percussão de Eron Gabriel. Uma noite para dar entrada num universo muito próprio. No dia seguinte (sábado, 23 de Maio) chegará ao palco do Valado o pianista galego Abe Rábade, acompanhado por Pablo Martín Caminero no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria. Virá apresentar o seu álbum de 2024 Tempo de Cor.
O terceiro bloco de concertos no Jazz Valado, em Maio, arranca (sexta, dia 29) com a apresentação da residência de músicos de cinco instituições de ensino superior: a Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), a Escola Superior de Artes e Espetáculo do Porto (ESMAE), a Universidade de Évora (UE), a Universidade de Aveiro (UA) e o Conservatório de Música de Coimbra (CMC). Um programa com arranjos originais da obra de Coltrane e composições próprias inspiradas no seu legado. No dia seguinte (sábado, 30 de Maio) uma das formações mais frescas no panorama jazzístico português com Rita Caravaca Quarteto. A pianista que vimos estrear recentemente as suas composições acompanhada por Emanuel Inácio no contrabaixo, Francisco Coelho na bateria e Álvaro Pinto nos saxofones.
E a encerrar o programa (sábado, 6 de Junho), o centenário de Miles Davis (1926—2026) será evocado numa noite especial no Teatro Chaby Pinheiro (na Nazaré). Para o devido efeito, o trompetista Gileno Santana concebeu um grupo de músicos para tocar ao vivo, na íntegra, o álbum Kind of Blue — um dos registos mais influentes da história da música do século XX. O concerto, com Afonso Silva no saxofone alto, Ricardo Rosas no saxofone tenor, Miguel Meirinhos ao piano, Gonçalo Sarmento no contrabaixo e Gonçalo Ribeiro na bateria. Será uma evocação que recusa o conforto da nostalgia e procura, nas palavras de Santana, fazer “o álbum do Miles ganhar vida”.