Jameson Urban Routes: a excelência de um DJ set com Kon e Nightmares on Wax

[TEXTO] Ricardo Farinha [FOTO ILUSTRATIVA] Alípio Padilha

Disco, trip-hop, funk, downtempo e boogie. Na noite de sexta-feira da décima edição do Jameson Urban Routes, batidas de todas estas cores, géneros e feitios encheram o Musicbox para uma verdadeira celebração da cultura e música urbana.

Não é todos os dias que assistimos a sets desta qualidade e com este nível de excelência — tanto ao nível da escolha musical, do timing e das passagens entre faixas. Foi Kon que abriu a sessão 10 do festival, ele que é um experiente DJ e digger de vinil norte-americano que costuma colaborar com a rádio da BBC e é um especialista em achar pérolas de disco, funk, boogie e géneros derivados.

Foi a partir destas sonoridades — sempre com um tapete rolante de batidas sincopadas por baixo — que foi construído o set da noite passada. Os ritmos quentes do boogie, a energia do funk e a irreverência de um saxofone aqui e acolá misturados com as bases progressivas da música electrónica — uma fusão que serviu para incendiar a pista de dança de um Musicbox à pinha.

Era difícil ultrapassar a energia com que Kon tinha contagiado a sala do Cais do Sodré e a verdade é que o grande cabeça de cartaz da noite, Nightmares on Wax, apesar de também ter feito uma (muito) boa actuação, não conseguiu superar a mestria de Kon nos pratos — apesar de o projecto do britânico George Evelyn ser uma referência tanto pela sua discografia como pelos sets ao vivo.

Num set que partilhava algumas das referências da música negra do DJ anterior, mas largamente diferenciada por ter uma base de downtempo, trip-hop e música electrónica, Evelyn não passou muitos temas da sua autoria.

“You Wish” encerrou a actuação, como se o veterano da Warp Records estivesse a fazer uma provocação maldosa aos fãs, ansiosos por outros clássicos do britânico que começou a carreira em 1991 com A Word of Science: The First and Final Chapter. Terá de ficar para uma próxima, “in a space outta sound”.

Quanto a ontem, ficam as memórias de mais uma noite vibrante na cultura urbana de Lisboa graças à excelência de duas instituições internacionais.

Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
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