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Illa J: a alma soul no hip hop em noite de homenagens no Musicbox

[FOTO] Nuno Costa

 

As atenções mediáticas do dia de ontem estavam concentradas no NOS Alive, mas – junto ao Cais do Sodré – o sangue de J Dilla era representado da melhor forma pelo seu irmão mais novo, Illa J. A tour Never Left passou pelo Porto e aterrou na noite passado no Musicbox numa actuação que teve tanto de hip hop como de soul.

E se as atenções se centravam noutros eventos, o Musicbox teve casa a meio gás para assistir a uma homenagem ao produtor de Detroit, mas não só. DJ Spot – o responsável pelos pratos no concerto do rapper/cantor – foi o responsável pela entrada e aqueceu o público com músicas que eram o prenúncio que viria aí: batidas soulful a adornar o ouvido para a entrada de Illa J.

E Illa J é hip hop? Sim, mas muito mais. A disposição em palco DJ/MC foi complementado com um teclado Korg onde Illa J mostrou virtuosismo, com destaque principal para uma versão incrível de “Fall in Love”, canção do seu malogrado irmão.  As referências a Soulquarians – grupo que tinha membros como D’Angelo, Common ou, como só poderia ser, J Dilla – foram o primeiro contacto do MC com o público, prestando uma homenagem ao autor de Brown Sugar como aperitivo para o que aí viria.

O conceito de espectáculo de Illa J é uma amálgama de Yancey Boys, álbum de estreia onde rimava sobre beats do irmão, homenagens aos seus ídolos e J Dilla. Se Illa J tem um pecado, esse será o de nunca se tentar afastar da herança bastante pesada que o irmão lhe deixou. “Never Left”, que também é o nome da tour, foi um dos momentos mais bonitos da noite, sendo antecedido de palavras emocionadas de Illa J sobre a morte de Dilla Dawg.

O concerto, que durou cerca de uma hora, foi preenchido de grande assertividade, mostrando que Illa J é artista com muitos concertos nas pernas – chegou a andar em tour com Slum Village, e multifacetado: voz e piano, a rimar de forma variada em termos de flows sem nunca perder coerência ou até em freestyle.

Prince é o meu artista favorito de sempre”, dizia Illa J enquanto nos aproximávamos do final do concerto. Existia um bounce bastante funk em J Dilla e, mesmo com as devidas diferenças, Illa J tenta emular o melhor dos dois mundos. Oportunidade para vermos mais uma vez o filho de Detroit a mostrar que sabe cantar – e bem – e tocar com brilho.

O concerto estava perto do final e as produções de Potatohead People – responsáveis pela produção no álbum homónimo lançado em 2015 – têm uma vertente mais dançável – uma abordagem à Kaytranada, que produz “Strippers” desse mesmo álbum – que puxam pelo sistema de som do Musicbox e pelas ancas da audiência. A alma de J Dilla vive na música de Illa J e a homenagem mais bonita que lhe poderia ser feita foi cumprida com excelência.

 


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