Ibeyi no NOS Primavera Sound: A imortalidade soube a pouco

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTOS] Pedro Mkk

Esperámos impacientemente pela entrada das gémeas em palco, o momento em que se abririam as portas para o “nosso” universo no segundo dia de festival no Parque da Cidade no Porto. “I carried this for years”. A frase fazia ainda mais sentido na primeira aparição das Ibeyi em Portugal. Vestidas a rigor e de igual, despojadas de artifícios, mas munidas de uma energia saborosa que é, sem sombra de dúvida, contagiante.

Os sorrisos, os cabelos esvoaçantes e as vozes doces de Lisa e Naomi mereceram aplausos e gritos efusivos da maioria das pessoas que relaxava e se balançava frente ao palco Pitchfork. “I wanna be like you” e “Away Away” antecederam a música que trouxe o grito de igualdade de Michelle Obama. “The measure of any society is how it treats it’s women and girls”, atirou a ex-primeira dama através do sample que Lisa soltou da sua maquinaria. “No Man is Big Enough for My Arms” teve direito a coro (e que coro!). Tal como (quase) todas as canções do alinhamento, “When Will I Learn”, de Ash, manteve Naomi nas suas percussões e Lisa na voz principal.

Já perto do fim, a derradeira “Deathless”. “Gritem”, pediram as gémeas, “é a nossa primeira vez aqui, vamos tornar este momento especial”. E o público acedeu ao pedido, levando a mesma energia para temas como “Me Voy”, “Ash” e “River”.

A simpatia das Ibeyi fez deste concerto ao pôr do sol algo único e quente para o coração. Carregadas de tradição das suas mil e uma raízes familiares e com uma importante mensagem de igualdade, a dupla foi embora ao fim de apenas dez músicas. Sim, a “imortalidade” soube a pouco. Ainda assim, continuaremos a cantarolar: “aconteça o que acontecer, somos imortais”.

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos