Holly x rap português: 4 beats para o quadro de honra

[TEXTO] Vasco Completo [FOTO] Jun Yokoyama

Para assinalar o lançamento do novo EP de Holly com o selo da Alpha Pup Records, 15 Hours To LA, e a sua mudança de ares para Los Angeles, relembramos aqui alguns dos maiores contributos do beatmaker português para a produção musical portuguesa, uma forma de deixar a sua marca na paisagem sonora nacional.

Olhando para a sua vastíssima produção — engloba inúmeras faixas que encontramos no seu SoundCloud, remixes, e beat tapes (já são mais de cem) –, escolhemos quatro beats em que faz pleno uso das suas capacidades para criar algumas das melhores “camas” em que os rappers portugueses se deitam.

 


[Dengaz] “ILWY” (2015)

O sample de voz que dá nome a ”ILWY” plana elegantemente na dimensão do ritmo dançável e da guitarra, único instrumento a criar a harmonia da faixa. Nos momentos em que Dengaz está a rimar, a voz está no centro, existindo apenas uma bateria — crescente pelos hi-hats (uma utilização óptima em tercinas que acompanha a voz) – e um baixo a dar o chão; há uma sensação dum instrumental contido que muda completamente de ar com a explosão para o refrão. Produzido a meias com Natural Logarithm, este é um dos beats de Holly com uma maior sensação de dinâmica. Deveria durar o dobro do tempo…

 


[João Tamura] “7 de Março” (2017)

A ambiência desta faixa tem muito espaço: parecemos estar a voar por cima das várias paisagens que João Tamura descreve, guiados pelo teclado e pela voz manipulada típica nos beats de Holly, como já se deve ter percebido. O ritmo é abordado sem que ele seja o centro da faixa, neste caso funciona mais como o empurrão para que continuemos a voar, em vez de cairmos na nostalgia. Tapemos a boca “para a alma não fugir” com o beat. A harmonia é das mais belas que Miguel já fez. Confirmem lá.

 


[GROGNation] “Amar Para Esquecer” (2017)

O penúltimo tema de Nada é Por Acaso dos GROGNation tem a sua mística nos sons escolhidos para a secção rítmica da faixa, que vão variando ao longo da mesma. O teclado harmoniza — e bem, diga-se — e assenta como mel, pegajoso, sem atacar o instrumental, sem pedir para pertencer mais à estética de “Amar Para Esquecer”. O instrumental passa de maneira nada indiferente e acompanha os rappers dum dos colectivos mais interessantes do rap nacional, que não desiludem com excelentes entregas. A bridge cantada era claramente obrigatória e a única coisa que o teclado pedia.

 


[Slow J] “Fome” (2017)

Simples: guitarra samplada em loop; repete o riff incessante; um sub-bass lá escondido; o beat mais sujo com o som mais limpo lá meio sincopado; Slow J encontra o espaço que precisa para mergulhar — estava, claramente, preparado “para atingir o insano”. A composição é crua e tão directa. Talvez tenha sido essa a razão para a escrita de João se demonstrar aqui com as mesmas características. Já tínhamos “Comida”, mas estas faixas deixam “Fome”. Também queremos que que a febre dos álbuns colaborativos entre MCs e produtores chegue a Portugal. Slow J x Holly soa prometedor…

 


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