Holly: nova beat tape de produtor da Astro com carimbo ReB

[FOTO]: Vera Marmelo

 

Seis EPs e, contando com esta, 15 beat tapes. Não que estejamos a contar, mas, no mínimo dos mínimos, nestes números tem que se ler entrega, disciplina, capacidade de trabalho. E depois, outras leituras são igualmente possíveis: vontade de explorar diferentes linguagens, coragem de se expor sem rede ao lado de MCs com experiência. Não são pormenores. Holly é um jovem valor da produção, com ligações de sangue à família Rockit de DJ Ride e Stereossauro, mas com suficiente sangue na guelra para optar pela ASTROrecords de ProfJam e Mike El Nite. A nova beat tape de Holly é mostrada ao mundo em exclusivo aqui no ReB. E a acompanhá-la algumas palavras de um jovem produtor que sabe muito bem o que quer e para onde vai.

Sentes que tens alguma coisa extra a provar por teres o DJ Ride como irmão?

Claro que não. A minha cena é a minha cena e a cena do meu irmão é a cena dele. Cada um de nós sabe o que fazer com a sua música e apesar de termos ideias e mentalidade semelhantes, uma vez que temos a mesma educação e ninho familiar, nenhum de nós tem que ver com o percurso musical que o outro faz e tem. Isso foi logo um dos pontos que me mentalizei quando comecei a fazer música, que isso não iria interferir com a minha produção, se bem que por vezes reparo que algum pessoal deposita algumas esperanças em mim devido a esse facto. Mas não tenho que provar nada a ninguém. Quero simplesmente fazer a minha música e aproveitar esta viagem.

Do que é que conversarias com o Oh No, que também tem um irmão famoso?

Hmmm não sei, também só soube há pouco tempo que ele é irmão do Madlib! Mas de certeza que esse não ia ser um assunto muito presente, talvez conversasse sobre coisas da vida, a música, a visão dele, uma vez que está inserido num meio musical muito maior do que o que eu vivo no momento, do processo criativo dele e por aí.

O que é que tem acontecido ao material que vais revelando nestas beat tapes? Há MCs a agarrar nestes beats?

Sim! Dá-me bastante prazer fazer beat tapes e criar um deadline para cada uma, algo que também acaba por puxar pelo meu ritmo de trabalho, criatividade e disciplina. Contudo também servem para uma espécie de “portfólio”, já usei bastantes vezes as beat tapes para apresentar o meu trabalho a outros rappers. Normalmente, alguns dos beats acabam por ser usados, outros apenas servem para captar a atenção dos MCs que depois acabam por me pedir beats exclusivos para não usarem os que já foram publicados.

Enquanto produtor, como é que descreverias o teu estilo?

Liberdade! Não gosto de estar preso a um só estilo. Quer dizer, é bom dedicares-te a um estilo específico e trabalhares e desenvolveres bem esse estilo, mas por outro lado o que me dá mesmo pica é fazer estilos diferentes e experimentar coisas novas para mim seja techno, house, DnB, cenas mais experimentais, sendo que isto também acaba por ajudar-te a teres mais ideias e a desenvolveres novas técnicas para aplicar noutros estilos, assim como ajuda a desenvolveres uma sonoridade mais pessoal.


holly_white_negatives©White Negatives

POR VEZES REPARO QUE ALGUM PESSOAL DEPOSITA ALGUMAS ESPERANÇAS POR SER IRMÃO DO DJ RIDE, MAS NÃO TENHO QUE PROVAR NADA A NINGUÉM.


Assinaste recentemente um EP com uma série de MCs internacionais. Como é que essas colaborações aconteceram?

Estas colaborações aconteceram através do contacto com esses MCs pelo SoundCloud. Passo bastante tempo no SoundCloud e encontrei lá cerca de uma meia dúzia de MCs com que me identifiquei e a quem dirigi o convite. Também juntei o Duzzo Dave e o Zebulon que são MCs com quem já tinha feito coisas e de quem gosto bastante. Achei que iriam enquadrar-se bem no projecto.

Tens uma ligação à ASTROrecords: o que é que estar nessa família implica? Têm um aperto de mão secreto?

Estar nesta familia implica teres a mente aberta, seres criativo, teres uma visão futurista e seres um gajo fixe! A Astro é alta casa, sem dúvida que estou muito feliz por estar inserido numa família como esta, já ouvia a música feita pela Astro antes de lá entrar e, quando comecei a dar-me mais com o pessoal e surgiu o convite, foi uma experiência muito fixe. Quanto ao aperto de mão, não temos nenhum, mas sem dúvida que é um aspecto a ponderar.

Que projectos tens em mãos no momento?

Esta é uma pergunta a que nunca gosto de responder. Gosto de manter os projectos sempre em silêncio, falar sobre o que tenho para lançar por vezes dá azar e corta um bocado o efeito surpresa. Contudo tenho algumas cenas já reveladas que vão sair nos próximos tempos: o EP com o Tem.P/Harold e com o João Tamura, o volume 2 do meu EP com o Razat, novas beat tapes e por aí.

Fala-nos desta beat tape: costumas ter MCs na cabeça quando produzes? Quem gostarias de ouvir a cuspir nestas batidas?

Esta beat tape é o resultado de alguns beats que não sabia bem que rumo lhes dar. Serve por isso de throw away, para despejar algumas das coisas que tenho para aqui. Por vezes vou buscar algumas ideias a produtores de quem sigo o trabalho e com que me identifico, mas nunca a MCs. Alguns dos MCs que gostaria sem dúvida de ter nos meus beats são a Kelela, Earl Sweatshirt, Captain Murphy, A$AP Rocky, Kanye West, Travi$ Scott, FKA Twigs, Jay Prince, Future, Vic Mensa, Mykki Blanco, Frank Ocean e muitos mais.

Não me parece que haja mais. Disseste-os todos. Ia pedir-te um top 5 de MCs com quem gostasses de trabalhar neste momento…

Epá, sem dúvida alguns dos já mencionados na pergunta anterior! FKA Twigs, A$AP Rocky, Kanye West, Allen Halloween e Sam The Kid. Este seria um bom top 5!

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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