Halloween de ar fresco no Caparica Primavera Surf Fest

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTOS] Luís Almeida

Não é assim tão estranho ver o pai do rap grunge num cartaz em que as bandas se colocam na prateleira do punk rock. Ainda assim, o meu foco, algum tempo antes dos concertos do terceiro dia de Caparica Primavera Surf Fest, estava em encontrar fãs de Allen Halloween num público vestido a rigor para ouvir os Tara Perdida. A abrir a noite, os Trevo deixaram-me ainda mais confusa. Não sabia se ouvia João Pedro Pais, D.A.M.A. ou, de vez em quando, algo perto de Tara Perdida e, por isso, do punk rock. O público era constituído por um extenso intervalo de idades. Desde miúdos de cinco anos com t-shirt dos Trevo, a jovens adolescentes com ar de surfistas, jovens adultos e até jovens da casa dos “entas”.

Passavam alguns minutos das 23 horas quando Halloween entrou em palco. Esperava vê-lo de carapuço na cabeça, olhar escuro e sombrio. Só o tinha visto uma vez, no Festival Iminente em Oeiras, e era assim que o recordava. Porém, talvez por ser na Caparica, talvez por ser um festival de primavera e de surf, “a Bruxa” apresentou-se de camisa fresca, um gorro que lhe deixava a cara a descoberto e vários sorrisos. “Dizem que eu tenho mau aspecto”, cantava a abrir com “Drunfos” – música do álbum Árvore Kriminal, trabalho em 10º lugar na lista dos melhores de 2011 na Blitz. Afinal não faltavam fãs de Halloween entre o público. Apesar de várias pessoas terem preferido ir até ao bar na esplanada ou estejam a conversar aos berros nas laterais do recinto. Não faltava quem cantasse as letras, quem, de vez em quando, pusesse os braços no ar, quem aplaudisse. Entre músicas ficava para Lucy o apelo ao público. “Já me hei-de lembrar de alguma coisa para dizer”, disse entretanto Halloween.

 


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Seguiram-se “Zé Maluco”, “Rap de Rua”, “Mr. Bullying”, “Gangsta Junkie”. Músicas do último álbum de Halloween, Híbrido. Pelo meio, o rapper ia reportando alguns problemas de som para a mesa. E sim, cá em baixo percebia-se mal várias vezes o que Allen cantava. “Mary Bu” pelo meio mostravam algo do seu primeiro trabalho – Projecto Mary Witch, 2006. Mas o foco do alinhamento estava no álbum mais recente, de 2015, com “Marmita Boy” logo de seguida.

“Estou a viajar pelo mundo do rap como um Skywalker. Podemos ir das zonas mais hardcore às zonas mais soft que o love é sempre igual”. Era esta a frase de que Halloween estava à procura desde o início do concerto. A reacção do público foi sempre constante. Morna, diria. Até no momento em que o rapper pediu que gritassem “Halloween” e o público o fez, duas vezes, Allen acabou por dizer: “foi mais ou menos, fico contente com mais ou menos.”

 


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Antes da última música, já depois de “Livre Arbítrio”, “Killa Me” e “Fly Nigga Fly”, Halloween viu-se obrigado a mandar parar o DJ depois de ter começado a cantar “meu nome é Allen, meu nome é…”. Não ouvia o beat na munição. Alguns uivos e assobios à parte, rapidamente Halloween canta a sua “música de bye bye”. “Youth” fechou o concerto de uma hora sem momentos “uau” e longe do espírito de um concerto em ambiente hip hop como foi, repito, o do Festival Iminente. No alinhamento, faltaram clássicos como “SOS Mundo”, a nova “Cobradores de Impostos”, lançada em Fevereiro de 2017 em homenagem a Zeca Afonso, e “O primeiro dia” do esperado Unplugueto. Um concerto atípico, diria. Principalmente pelo local, pela falta de calor do público e pela frescura (boa) na imagem de Halloween.

No dia 14 de Abril, Valas, Holly Hood, Regula e DJ Cruzfader trazem ao Caparica Primavera Surf Fest um dia com mais hip hop.

 


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