Haka sobre Grumpy Moses: “Colei o rótulo a mim próprio por uma questão de comodidade”

[ARTWORK] Direitos Reservados

Haka lançou Grumpy Moses em conjunto com uma campanha no Patreon. No novo EP, o rapper da Vasconcelos Crew alinha em 4 temas com produções de MCF e Taser.

Tem sido um ano pautado com vários singles que Haka tem compilado no YouTube enquanto Pontas Soltas. Cinco temas soltos depois, é agora tempo para que o rapper de Aveiro marque igualmente o calendário de 2017 com um projecto de maior fôlego. Grumpy Moses assinala também uma nova etapa na sua carreira: o primeiro de uma série de lançamentos que o MC se compromete editar com a ajuda do seu público. Os ouvintes de Haka podem agora juntar-se na plataforma Patreon e contribuir com um valor simbólico mensal que dará acesso a todas as novidades em primeira mão, bem como à possibilidade de alcançar ainda algum material exclusivo. Um modelo de negócio inovador na comunidade hip hop nacional que tem vindo a testar diferentes métodos de fazer chegar música ao público. É então através do Patreon que podem adquirir Grumpy Moses por 2€, e é nessa mesma plataforma que o rapper promete cumprir a meta de um novo projecto a cada mês.

Haka falou ao Rimas e Batidas sobre Grumpy Moses, os planos para a Vasconcelos Crew e a adesão ao Patreon.

 


https://youtu.be/s8FtEmrdRbA?list=PL3UtiagqrefRXyHAtEo4T3ADk83WLno-Q


Fala-nos do teu estado de espirito em Grumpy Moses. Porquê esse título para o EP?

É um estado de espírito recorrente. Felizmente movo-me num meio em que reclamar é o que é, uma simples forma de desconstrução. ‘Aqui’ sou normal, nos círculos sociais convencionais sou grumpy, e desta vez colei o rótulo a mim próprio por uma questão de comodidade.

Editaste o “cabazada é conversa fiada” enquanto single de apresentação do projecto. Que statement é este que fazes no tema introdutório?

Nesse tema estou a dizer o que sinto na maioria do tempo, que sou melhor que quase todos e que não sou pior que nenhum. Vale o que vale, até porque  segundo o estado das coisas a competição já não faz sentido e até é mal vista, tal como o ser-se grumpy.

Já vais com vários lançamentos este ano. Como tem sido o teu processo de criação para elaborar tantos temas?

Escrever, gravar, misturar, fazer o artwork e lançar. Acho que demorei demasiado tempo a perceber que é tão simples quanto isso, e que essa continua a ser a parte do game que mais me diz.

Como estão a correr as coisas no seio da Vasconcelos Crew?

A Vasco continua a trabalhar e a trabalhar-se todos os dias. O nosso projecto de estreia, se não contarmos com o EP promo, já está escrito e produzido – todos os beats são do MCF. O Claustro também está quase a lançar. O resto vai aparecer, com mais ou menos aviso.

Contas com duas caras na produção que não te são estranhas. O que te chama a atenção nas sonoridades do Taser e do MCF?

Em relação ao MCF nem te sei dizer, as coisas já funcionam há demasiados anos para ter noção disso. O beat do Taser estava comprado e guardado desde a Purga, e acabei por repescá-lo. É um gajo que sabe produzir, sabe vender, é bacano e profissional e tem um catálogo extenso.

És provavelmente o primeiro rapper portugês a aderir ao Patreon. O que te levou ao encontro desse modelo de negócio e o que pode esperar o teu público ao assinar pelos teus conteúdos?

É a plataforma ideal para ter a minha discografia arrumada e para a tentar rentabilizar com o mínimo possível de burocracia e intermediários. Como ouvinte/patrono a vantagem passa pelo acesso em primeira mão aos conteúdos (pelo menos um mês antes) e pelo acesso ao material que não chega às plataformas de stream. Não são características exclusivas mas gostei do flow do Patreon.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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