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Fotografia: Direitos Reservados

Os estúdios Arda Recorders receberam a gravação do projecto do baterista.

Gustavo Costa edita o seu primeiro disco a solo para bateria e percussão

Fotografia: Direitos Reservados

Gustavo Costa não é, nem pode ser, um nome que cai em saco roto quando se fala de música contemporânea, experimental, ou jazz em Portugal. O percussionista, performer e escultor sonoro carrega — uma palavra usada de forma ponderada — uma vasta carreira de registos solo e colaborações, assim como de exposição de outros artistas através do colectivo transdisciplinar Sonoscopia, que integra e no qual partilha protagonismo com artistas que não lhe ficam no encalço, como é o caso de Henrique Fernandes, Alexandre Soares, ou Sara Gomes, para mencionar apenas alguns.

Curiosamente, volvidas três décadas de carreira, Gustavo Costa parte finalmente para um disco solo apenas de bateria e percussão, como explica, “os instrumentos com os quais [cresceu]”. Em entrevista ao Rimas e Batidas, o portuense explica que se trata de um registo “muito mais pessoal” e de exposição “muito frontal, onde está apenas um músico frente ao seu instrumento”. Foi, também, um exercício de reencontro com a “expressão física e mental através dos instrumentos de percussão”. O seu trabalho com a Sonoscopia permitiu-lhe transformar a “concepção sobre o acto de criação em algo muito mais abrangente e que não se materializa apenas com o som”, e aqui foi feita uma reaproximação a uma “visão mais convencional” e focada “no som e nos instrumentos estandardizados.”

O novo álbum, ainda sem título definido, foi gravado em tempo real, sem recurso a overdubs (excepção feita a um dos temas gravados). É descrito pelo próprio como sendo um disco que não é fácil de se ouvir “dado que raramente apresenta alguma regularidade rítmica e vive de uma complexidade tímbrica que só poderá ser verdadeiramente revelada com um bom sistema de som.”

O registo fará, claro, jus a tudo o percurso do artista portuense, que entende ser impossível desligar o seu percurso enquanto músico, performer e compositor das suas colaborações com outros artistas, ou mesmo do trabalho de programação feito com a Sonoscopia ao longo dos anos. “

Apesar da redefinição de coordenadas temporais e de um aparente regresso a uma origem, este será um conjunto de músicas que não está desligado da carreira de Gustavo Costa, que admite não só o impacto que as colaborações tiveram no seu crescimento como artista (“ao longo de todos estes anos nos quais me dediquei a fazer música, procurei sempre obter o máximo de informação e referências de vários músicos e professores”), mas também o seu trabalho enquanto programador, dado que “a Sonoscopia tem sido o [seu] espelho nos últimos anos”. É um trabalho de percepção de crescimento, portanto: “Acredito que o processo de criação não está dissociado de tudo o resto que comanda a nossa vida, e por isto mesmo, a música que fazemos tem sempre algo de novo. Vamos crescendo e, consequentemente, a música cresce connosco.”

O álbum tem lançamento apontado para o final de Outubro, naquilo Gustavo Costa nos diz que será uma “edição muito cuidada em vinil e CD. Produzido pelo próprio, gravado e misturado por João Brandão nos estúdios Arda Recorders, no Porto, e com masterização de James Plotkin (músico com trabalhos fundamentais na música experimental, como é o trabalho em Khanate, ou são as colaborações com KK Null, Mick Harris, ou mesmo Paal Nilssen-Love; e produtor multifacetado), deverá ser apresentado ao vivo durante o Outono e Inverno. Resta-nos esperar.


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