Guia ReB para o OUT.FEST 2019

[TEXTO] Francisco Couto [FOTO] Honza Walda Valík

O OUT.FEST cria a banda sonora perfeita para quem ama música desafiante e quer conhecer melhor o Barreiro, levando-nos a edifícios e zonas que tiveram (e ainda hoje têm) um impacto grande na história da cidade, numa tentativa de manter a integridade dos costumes desta zona que outrora fora tão conhecida pela sua actividade industrial, e fundindo-a ao mesmo tempo com uma nova cultura mais actualizada e ecléctica.

As honras de inaugurar o festival são dadas ao lisboeta Gabriel Ferrandini, compositor que utiliza a percussão (em que a bateria é o objecto predominante) como a arma para explorar o free jazz, que nesta instância será acompanhado pela Camerata Musical do Barreiro. Seguir-se-á Peter Evans, figura importante no panorama internacional do jazz contemporâneo, que oferecerá um serão adornado por trompete. Uma quinta-feira diferente na Igreja Paroquial de Santo André.

Um dos momentos mais esperados será o concerto de Kali Malone no dia seguinte. A compositora sediada em Estocolmo, que nos encantou a todos com o seu mais recente álbum The Sacrificial Code, vai proporcionar um momento bastante especial na Igreja da Nossa Senhora do Rosário onde interpretará peças num órgão de tubos do século XVIII, instrumento que explora desde os seus 18 anos. Mais tarde, a ADAO recebe os concertos dos Calhau!, veterano projecto exploratório nacional, seguindo-se a mistura underground de electrónica e grunge desconstruído da britânica Alpha Maid, membro do colectivo Curl. Ilpo Väisänen promete também chamar muita gente para o seu concerto, levando-nos aos tempos de Pan Sonic, tal como o “punk xamânico” dos brasileiros Deaf Kids, a estranha aura do duo pai-filha que compõe os Yeah You, culminando com a descarga de energia presente na batida de DJ Firmeza, que nunca falha na sua missão de meter toda a gente a dançar.

O último dia exige algum planeamento mais complexo, não só pelos concertos que se vão intercalar, como também pelos diferentes locais espalhados pelo Barreiro que os vão acolher. O duo da Favela Discos Bezbog vai disputar atenções com Angélica Salvi e Brynje para ver quem consegue levar mais pessoas ao Moinho de Maré Pequeno, à Biblioteca Municipal do Barreiro e ao Teatro Municipal, respectivamente. Um dos momentos especiais deste OUT.FEST será o concerto que, criado com a curadoria da Red Bull, vai juntar no mesmo palco Keith Fullerton Whitman e alguns dos nomes mais inovadores da música electrónica portuguesa, André Gonçalves, Clothilde, e Simão Simões, que vão apresentar o resultado da residência artística que partilharam juntos. O sexteto Chão Maior, liderado por Yaw Tambe, que inclui ainda artistas como Norberto Lobo e Ricardo Martins, promete também um concerto memorável. Seguem-se os universos melódicos e etéreos de Violeta Azevedo Raw Forest, que contrastam com a electrónica destrutiva do irlandês Davy Kehoe. A partir daqui as contas tornam-se mais fáceis, com James Ferraro em principal foco, com um álbum recente na bagagem, a cantora egípcia Nadah El Shazly, os americanos Dälek, figuras importantes do hip hop industrial, sujo e experimental. Antes dos DJs entrarem em acção, cabe ao projecto italiano Still encerrar o palco SIRB “Os Penicheiros”, que mistura activismo político nas palavras com uma electrónica que bebe do dub, industrial, dancehall e grime (que nos remete logo para a sonoridade de The Bug).

Resta-nos agora aproveitar os últimos dias de sol do ano com um dos festivais que mais valoriza a experimentação e a novidade enquanto pano de fundo. É hora de partir à descoberta.


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