Gui sobre Heart Light Stories: “Sou eu a querer partilhar o processo criativo com pessoas que me inspiram”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Mike Blanko

É provável que por esta altura já se tenham cruzado com um vídeo de ProfJam, acompanhado por Gui, o seu baterista desde 2018, a rimar um tema inédito intitulado “Papel”.

The Heart Light Stories foi criado por Guilherme Silva e, para já, podemos ver dois episódios: o primeiro contou com a presença de MC Zuka, que resgatou a letra de “Na Fita“, tema que fez parte da compilação Mechelas; o segundo teve Mário Cotrim na voz, que, ao contrário do rapper brasileiro, revelou “uma letra original, nunca antes editada”. Na retina ficou também a referência a Mac Miller e às suas The Space Migration Sessions.

Como acontece em alguns casos — Charlie Beats e Fred Pinto Ferreira são dois exemplos nacionais –, o baterista lisboeta não descarta a possibilidade de se aventurar a sério no campo do beatmaking: “Ainda não me lancei profissionalmente nesse campo, mas é uma área que tenho vindo a explorar há já algum tempo”.

Depois de publicar o seu mais recente vídeo no dia 3 de Fevereiro, Gui já tem outro episódio à espreita. No dia 17 de Fevereiro, HIPNOD vai contar a sua história.



[APRESENTAÇÃO]

“Sou o Gui e venho de Lisboa. Comecei a tocar relativamente tarde (tendo em conta que sou músico profissional, porque na verdade nunca é tarde para aprender nada), aos 16 anos, e passei por várias escolas e professores dos quais destaco o João Lencastre e o Michael Lauren, este último enquanto frequentei o curso de Jazz da ESMAE. Comecei por ganhar experiência com bandas de covers e, no final de 2012, comecei a tocar com os D.A.M.A, com quem percorri os palcos de Norte a Sul de Portugal.”

[A ENTRADA NA BANDA DE PROFJAM]

“A história começa muito antes de ter trabalhado com os DAMA. Andei na secundária de Benfica, onde fui colega do Nelson Monteiro, o manager da Think Music. Através dele, conheci o Mário na fase da AstroRecords e os nossos caminhos foram-se cruzando algumas vezes, não só porque éramos os dois músicos, mas também porque vivíamos na mesma zona. Entretanto surgiu o ‘Pensa Bem‘, a música dos D.A.M.A em colaboração com o ProfJam, que trouxe ainda mais contacto, e quando saí da banda decidi ligar ao Nelson a dizer que estava disponível. Felizmente estavam à procura de baterista para criar um novo espectáculo e gostaram do que eu lhes tinha para dar.”

[INTERPRETAR OS BEATS ORIGINAIS]

“Quando comecei a abordar este novo género musical, percebi que não queria tentar seguir um método mais tradicional e substituir a parte da bateria nos instrumentais, ao imitar tudo o que estava a acontecer a nível sonoro e rítmico. É preciso ter noção que não está uma banda em palco, sou só eu que estou a tocar por cima dos instrumentais que o Mike El Nite lança, e tenho a responsabilidade manter a personalidade da música. Era impossível dar o feeling certo aos hi-hats característicos do trap numa bateria acústica. A minha interpretação é muito mais rock e passa por adicionar o power acústico em conjunto com os samples originais. A verdade é que a energia dos concertos dos dois géneros é muito parecida, basta ver pelos moshs.”

[A CRIAÇÃO DA SÉRIE HEART LIGHT STORIES]

“A Heart Light Stories foi uma ideia que me surgiu há quase dois anos. Na altura estava a definir objectivos do que eu queria ser neste meio e projectos concretos que queria apresentar. Enquanto baterista, uma das áreas que eu queria investir era o YouTube e esta foi uma das ideias para conteúdo que tive, assim como os clássicos covers que foi por onde comecei. Demorei um bocado a desenvolver o conceito, quem me ajudou foi o Van Breda (DJ e dono do Swag On). Arranjámos um nome, que define a ideia de contar uma história, e mais tarde a imagem. Este projecto é sobre criar. Sou eu a querer partilhar o momento de processo criativo com pessoas que me inspiram. Que começa no estúdio Bandido com os convidados e acaba no vídeo com a equipa que me ajuda a contar as histórias, o Fred Gracias no som e o Mike Blanko na imagem. Nada disto seria possível sem eles.

Inicialmente foi pensado apenas para MCs, lembro-me até de dizer por piada que o melhor nome já tinha sido utilizado, ‘Rimas e Batidas’, mas percebi que não precisava nem fazia sentido limitar-me a isso. Estou a pensar em convidar cantores e até músicos.”

[REFERÊNCIAS E INFLUÊNCIAS]

“Tenho dois tipos de influências. Em primeiro lugar, a nível de linguagem musical. Já passei por muitas fases, mas há uma característica que se mantém sempre, o peso do groove. Desde o Art Blakey no jazz, ao John Bonham no rock, sem esquecer o Steve Jordan claro.

Em segundo lugar, a nível de carreira. Gosto de bateristas que se afirmaram como artistas e também que exploraram outras áreas como a produção e o DJing como é o caso do Questlove ou do Travis Barker.

Em Portugal, uma das minhas maiores influências nestes dois aspectos é o Fred Ferreira.”