GoldLink: a verdade na pista de dança

[TEXTO] Samuel Pinho [FOTO] Direitos Reservados

Quer para os mais atentos à nova fornada de rappers e novas tendências, quer para o ocasional frequentador de clubes nocturnos, GoldLink pode passar despercebido quando lido, embora nunca quando escutado. Na verdade, é extremamente improvável que nunca tenham batido o pé, mesmo que ao de leve, ao som de uma malha por ele trabalhada.

O surgimento e massificação de plataformas online de partilha de conteúdos, como o Bandcamp ou o SoundCloud, estive na origem de todo o processo, tendo sido precisamente aí – corria o ano de 2013 – que o (ainda) jovem rapper começou por dar os primeiros passos, divulgando as primeiras faixas no serviço fundado por Alexander Ljung e Eric Wahlforss sob o stage name que ainda hoje o identifica, dando desde cedo mostras de querer enveredar por sonoridades vanguardistas.

 



Certo é que até meados de 2014, e se exceptuarmos alguns produtores e umas dezenas de fãs, GoldLink era um perfeitamente desconhecido para a maioria. Tal é facilmente explicável: entre a sua política de anonimato e a ausência de um longa-duração, o talento de GoldLink encontrava-se contido nos seguidores acérrimos que lhe seguiam os progressos via redes sociais e pouco mais.

Em Julho desse mesmo ano, lança a mixtape The God Complex, que lhe mereceu menções e destaque por parte de publicações como a Spin, a Clash ou a Pitchfork, não mais abrandando desde então. Em Outubro de 2015, edita o álbum de estreia, And After That, We Didn’t Talk, feito sob a chancela da Soulection e tido como o derradeiro acto de consagração por parte do “miúdo” natural de Washington, D.C.

Pelo meio, ainda encontrou tempo para participar nas tours de Flume, Mac Miller e SBTRKT. É de referir que o seu trabalho de estreia teve o valioso mentoring de Rick Rubin, o lendário obreiro que produziu álbuns como Yeezus, 21, The Marshall Matters LP 2 e que trabalhou com músicos como Red Hot Chilli Peppers, Lady Gaga, Linkin Park, LL Cool J, entre tantos outros.

 



Focado numa antiga relação da adolescência, subsequente término e demais vicissitudes, o álbum tem quase tudo de autobiográfico. O rapper frisa isso mesmo, em entrevista à Pitchfork: “I feel like 99% of niggas lie in their raps; I don’t”. E isso, sendo pouco, diz-nos muito.

Mostra-nos que – contrariamente a Kaytranada, um dos seus mais recorrentes colaboradores – GoldLink não é só ginga e footwork, que há uma preocupação com storytelling, com imprimir às sonoridades exóticas o conteúdo que lhes faça justiça.

 



A ascensão prevê-se quase meteórica, como vem sendo apanágio da Geração SoundCloud (artistas revelados ao mundo por meio da Internet). Mas o músico, de seu verdadeiro nome D’Anthony Carlos, tem trilhado o seu percurso passo a passo, numa mistura sucessiva de lançamentos sólidos e colaborações cirúrgicas. Daí ao estatuto de nova coqueluche do hip hop/ eletrónica, apesar de o próprio preferir catalogar o que faz como future bounce, ainda que o cardápio de sonoridades com que trabalha se situe entre a dança, o r&b e o house, com laivos sensuais de soul acrescidos em doses q.b..

Na próxima sexta-feira, o artista lança At What Cost, o sucessor de And After That, We Didn’t Talk. Do novo registo, já conhecemos a tracklist e três singles: “Meditation” feat. Jazmine Sullivan e Kaytranada, “Crew” feat. Brent Faiyaz e Shy Glizzy e “Pray Everyday (Survivor’s Guilt)“. Para ajudar no buzz, o rapper partilhou uma fotografia com Andre 3000 no estúdio…

Talvez GoldLink tenha chegado para ficar.

 


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