Fuse: “A visão da Fat Dog Records agradou-me desde a primeira reunião”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Irish Favério

No dia 3 de Fevereiro deste ano, o Rimas e Batidas celebrava o 15º aniversário de Sintoniza…, o segundo álbum a solo de Fuse, com o anúncio de uma série de conteúdos à volta do disco. Apesar do silêncio, os planos não se alteraram. A entrevista vai sair até ao final do ano, a crítica ao álbum também e o “conjunto de remisturas/reinterpretações a cargo de produtores nacionais” sofreu uma pequena alteração: as versões de PontoCruz e Sensei D. vão ser incluídas na reedição limitada em vinil que tem o selo da newcomer Fat Dog Records, editora/agência criada por David Pereira e Luís Teles.

“Conheci o David da Fat Dog Records através do vídeo da ‘Sangue Frio’. Ele foi o realizador visionário por trás do conceito do vídeo. Pouco tempo depois sou abordado por dois destemidos empreendedores com uma proposta irrecusável de edição do Sintoniza… em vinil, o David e o Luís têm uma visão clara e destemida em relação ao percurso que querem construir no meio musical. A química foi real e sincera”, revela Nuno Teixeira. E não ficou por aí, desfazendo-se em elogios à dupla: “Criar uma editora em pleno século XXI já é uma prova dada de positivismo e ambição. A visão da Fat Dog Records agradou-me desde a primeira reunião. Quem mais se lembraria de reeditar em vinil um disco meu? Ao longo dos anos já trabalhei com muita gente, já recebi muitas propostas, já ouvi muitas ideias, mas nunca tive um feeling que me transmitisse esta confiança. A Fat Dog tem tudo para fazer um bom trabalho neste universo actual, iremos com certeza fazer muita estrada juntos.”

Num e-mail enviado para o Rimas e Batidas, o realizador de “Sangue Frio” fala sobre a génese da label, que está localizada em Santo Tirso, Porto, a primeira contratação e os objectivos: “Eu e o Luís sempre estivemos envolvidos no mundo da música, sempre tivemos bandas, mas o que despoletou a criação da Fat Dog Records foi a vontade de trazer um conceito novo ao hip hop a partir das nossas influências. Acreditamos que conquistará o seu espaço no género pelo seu traço próprio e também pelo plano abrangente que tem em torno dos seus artistas. Achámos que era a oportunidade ideal, quer para a Fat Dog, quer para o Fuse, anunciá-lo como primeiro artista através de uma homenagem a um álbum muito querido pela comunidade do hip hop. Para além disso, neste momento, a editora está já a trabalhar para anunciar novos artistas em breve. Sentimos que o que fazemos para, e com, os nossos músicos vai ter um efeito benéfico nesta comunidade. Isto porque queremos contrariar a tendência dos rappers cada vez mais se afastarem das editoras, pois para nós, é essa proximidade que está realmente em falta.”

 



O membro dos Dealema desenvolve um pouco mais sobre os contornos desta reedição: “Há uns meses, o Rui Miguel Abreu falou-me de uma ideia brilhante de reunirmos alguns produtores para remisturarem temas do Sintoniza…. Apesar desse projecto ainda estar em progresso, quando surgiu o convite da edição do vinil, quisemos acrescentar nesta reedição um bónus para os fãs. Devido a questão de espaço de disco e prazos conseguimos incluir estas duas remisturas do PontoCruz e do Sensei D., dois produtores com quem me identifico muito. Uma das remisturas que adoraria ter incluído também é a do Maria, que escolheu a ‘Psicofonia’, uma das minhas músicas favoritas do disco. Será disponibilizada brevemente.” A ideia que o rapper refere e que o nosso director lhe apresentou nasceu, refira-se, de uma proposta de um ex-colaborador desta revista, Diogo Pereira, confesso admirador da obra de Fuse.

O “rejuvenescimento” da capa é outros dos pormenores que salta à vista. Fuse desvenda que “a capa da reedição representa uma viagem no tempo, o mesmo artista 15 anos depois, a intemporalidade de uma obra”. David Pereira acrescenta: “Queríamos fazer um tributo a um dos mais populares álbuns do Fuse, mas gostávamos que a sua imagem representasse a evolução do próprio nestes últimos 15 anos. Adoramos o resultado final, não só por ter ficado espectacular, mas também por ter sido uma óptima experiência de trabalho conjunto entre nós, o Fuse e o Irish Favério.”

A celebração dos 15 anos do disco vai ser feita em duas festas, no Porto e em Lisboa: Olympo 2018, festival que acontece a 15 de Dezembro, no Hard Club, e “a maior festa de Natal de hip hop“, uma actuação a 25 de Dezembro no Titanic Sur Mer que também terá apresentações de Bad Tchicken e Abyss.

Segundo a editora e o próprio artista, vão poder encontrar cópias da reedição comemorativa no evento no Hard Club, mais uma razão para não faltar à chamada.