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Full Crate: “Quero mergulhar na cultura musical portuguesa”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados 

Entre Diplo e Soulection, Arménia e Holanda, hip hop e soul, Full Crate aparece-nos como um verdadeiro agregador de linguagens que só apresenta uma preocupação: “Tens sempre de certificar-te de que as senhoras estão a mexer-se com a música”.

Vogue, o seu mais recente EP, foi lançado em 2017 e é um retrato das suas melhores qualidades, aliando o exotismo sonoro do dancehall e do afrobeat à modernidade que une r&b, hip hop e electrónica, algo que costuma ser denominado como “future beats”.

O seu amor assolapado por Daniel Caesar (“Freudian deu-me vida”) e A Tribe Called Quest — tem 5(!) tatuagens do grupo — vão de encontro à dedicação e paixão que assume por todo o tipo de música, uma relação cultivada pelos pais desde tenra idade.

O DJ e produtor holandês é o cabeça de cartaz na festa de celebração do terceiro aniversário da XXIII, label e promotora nacional. Antes de se estrear no próximo sábado em Portugal, Full Crate esteve à conversa com o Rimas e Batidas:

 



O que é que ouviste durante a tua infância e adolescência na Holanda e de que forma é que isso influenciou a música que fazes hoje em dia?

Eu cresci na Arménia e mudei-me para Amesterdão quando tinha 13 anos. A música foi, definitivamente, uma parte importante da minha educação. O meu pai estava sempre a meter motown, jazz, soul e rock e a minha mãe ensinou-me música clássica.

Mais tarde, eu comecei a ouvir hip hop e soul e isso veio directamente da música que os meus pais costumavam ouvir. Reconheci montes de samples de hip hop por causa dos discos que os meus pais ouviam.

Já foste entrevistado pelo Joe Kay da Soulection, editora que está directamente ligada à tua sonoridade. Curiosamente, ainda não lançaste nada por eles. Tenho duas questões sobre o assunto: De que forma é que achas que a Soulection revolucionou a forma como os DJs e produtores se apresentam ao mundo? Vamos ter um lançamento da tua autoria na editora ou é algo que não está nos planos?

O Joe Kay e a Soulection têm sido grandes amigos meus. Eles são realmente inspiradores. Eu acho que o poder da Soulection sempre foi fazerem o que amam e defenderem o som e a cultura em que acreditam. E isso funcionou na perfeição para eles.

Não existe nenhuma razão para eu ainda não ter lançado nada pela Soulection, eu e o Joe estamos sempre a falar disso. Ainda não aconteceu até agora, mas nunca se sabe.

Um DJ tem que estar sempre atento aos novos lançamentos. Que músico/canções surpreenderam-te nos últimos meses?

Para ser honesto, não tenho feito digging de nova música nos últimos dois anos, desde que comecei a lançar a minha própria música como artista que o meu foco mudou ligeiramente. Eu toco muito a minha música e os meus edits, mas os artistas que me apanharam desprevenido foram SG Lewis, Jamie XX e algumas cantoras como Cleo Sol ou Tiana Major 9.

Em Janeiro, o Diplo deu o co-sign a uma canção tua. Ele é uma referência para ti? Gostavas de trabalhar com ele? Que outros nomes estão na tua lista de colaborações de sonho?

Eu sempre olhei para o Diplo como uma referência, ele é um gajo único. Tem um excelente ouvido para grandes canções e está sempre a inovar. Ele lançou o meu último single na sua editora, Mad Decent, o que foi muito fixe. Eu adoraria trabalhar com ele. Outras pessoas com quem gostaria de trabalhar: Drake, Childish Gambino, Daniel Caesar, H.E.R., Kendrick Lamar.

Num tweet que publicaste recentemente dizias que o Daniel Caesar mudou a tua vida. Podes aprofundar?

Eu ando a ouvi-lo há alguns anos. Vou a Toronto bastantes vezes e eles estão sempre a tocar as canções dele na rádio, mesmo antes dele explodir no mundo inteiro. Existe algo na maneira como ele escreve canções e as suas produções… A sonoridade é fantástica. É nostálgico, mas novo. Ele mudou a minha vida porque depois de ouvir o álbum Freudian fiquei tão inspirado para voltar às minhas raízes mais soul e r&b. Aquele disco deu-me vida. Shoutout para o Daniel!

Também reparei que reagiste às mortes do Craig Mack e do Lovebug Starski. Qual é a tua relação com a cultura hip hop?

Tantas lendas que nos deixaram recentemente. Desde sempre que fui um grande hip hop head. Cresci a ouvir o género desde os 14 anos.

Essa foi a minha primeira experiência com música. Nas, De La [Soul], Wu-Tang [Clan], Souls Of Mischief, Mobb Deep, DITC, Big L e a lista continua. Eu tenho uma garagem cheia de vinil (é por isso que me chamam Full Crate) e acho que 65% dos discos são de hip hop.

Ah, e tenho cinco tatuagens dos A Tribe Called Quest… Acho que se pode dizer que sou fã [risos].

O que é podemos esperar da actuação em Portugal? Podes revelar-nos três ou quatro canções que não vão faltar no teu set?

Vai ser a minha primeira vez em Portugal. Muita energia, mas vibes sexys. Tens sempre de certificar-te de que as senhoras estão a mexer-se com a música.

Vou tocar algumas músicas novas, tenho muitos edits que nunca foram lançados e o meu último lançamento, “Dangereux”. Também quero mergulhar na cultura musical portuguesa. O resto é surpresa.

 


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