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Publicado a: 09/06/2017

Flying Lotus no NOS Primavera Sound: A simbiose perfeita entre música e vídeo

Publicado a: 09/06/2017

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Hugo Lima

Califórnia ou Porto? As temperaturas não deixam dúvidas, mas a música é capaz de ludibriar. Saímos da sala de imprensa e já ouvimos as batidas de Los Angeles a percorrerem o espaço a velocidade galopante. Chegamos à zona do palco e o cenário é assustador: plateia completamente à pinha para ver Flying Lotus.

A actuação do profeta da Brainfeeder fez-se em duas partes e a primeira não é para todos: imaginem-se no laboratório, mais conhecido como estúdio, de Steve Ellison. Sentados numa poltrona, olham para o cientista a fazer uma revisão do material criado ao longo dos anos. “Uma miúda no backstage pediu-me para passar todos os beats“, atira FlyLo. De forma irónica ou não, a fórmula é mesmo essa. Destaque para o “Night Grows Pale”, faixa que sampla “White Queen (As It Began)“, tema original dos Queen.

Viragem de 360º e a segunda parte é a mais surpreendente. Ouvem-se resquícios de funk da favela, techno e afro-house, coordenadas geográficas que nunca pensaríamos encontrar na palete sonora do produtor que foi rejeitado por Peanut Butter Wolf por se parecer demasiado com J Dilla e Madlib.

Para os mais distraídos, o fundador da Brainfeeder também é um realizador de cinema. Kuso, o filme de estreia, chocou muitos, mas, revendo a apresentação visual da actuação, o que choca é ainda não terem criado o prémio para melhor espectáculo no NOS Primavera Sound de propósito para a estrondosa exibição do mago da Brainfeeder.

O set termina com “Never Catch Me”, malha em que Kendrick Lamar colocou um verso, e cria uma autêntica bola-de-neve afunkalhada com magia feita com a ajuda de Thundercat. Os multi-universos de Flying Lotus coexistem no Porto. É aproveitar que a ponte abriu…

 


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