Flash Gordon: “O EU foi criado com o objectivo de mostrar um pouco da minha realidade”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Flash Gordon lançou a sua mixtape de estreia na passada sexta-feira. EU tem 11 temas e conta com as colaborações de LORD, Magro e Snoop Boy.

Para quem segue com atenção o movimento do hip hop em Alverca, é possível que já se tenha deparado com o nome Flash Gordon em algumas colaborações e temas soltos relacionados com o universo NYXTreva, onde militam também LORD ou YOUNGSTUD. Nascido em Angola, Etifânio Afonso passou toda a sua adolescência em Portugal e absorveu os ensinamentos da Linha da Azambuja, uma zona que tem primado pelo talento que fornece às lides do rap nacional.

EU assinala a primeira vez que Flash Gordon se apresenta ao público num longa-duração, editado há uma semana pelo Hip Hop Angola no SoundCloud: “Sempre tive vontade de lançar uma mixtape mas nunca tinha tido a disponibilidade nem possibilidade de o fazer da minha maneira. Comecei a gravar em Março e terminei em Agosto. O projecto até era para ter 17 faixas mas, devido ao tamanho, que iria dificultar o download, decidi retirar algumas tracks.”

LORD e Snoop Boy são os MCs convidados a marcar presença em EU, que contém três beats originais, assinados por LORD (em “EU” e “EU Quero o Melhor Para Mim”) e Magro (em “EU Também Quero”). Flash Gordon, que nos revelou estar neste momento “a produzir mais do que a escrever”, explica porque deixou de lado as suas próprias batidas: “Foi bem difícil para mim fazer o projecto sem inserir nenhuma produção minha, mas decidi que deveria mostrar o que sou capaz de fazer em beats de outros producers. Daí ter procurado beats que tivessem a ver com o meu estilo de produção. Futuramente lançarei um EP apenas com instrumentais meus.”

 



[Apresentação]

“O meu nome é Etifânio Walter Natércio Afonso aka Flash Gordon. Nasci em Angola há 25 anos e, com 2 anos, fui viver para Portugal com a minha madrinha, e só voltei a Angola com 19. Sempre gostei de música mas, devido às minhas influências, ouvia mais rock. Aos 9 anos ouvi Linkin Park e foi o Mike Shinoda quem me fez despertar o bichinho do rap. A partir daí ouvi muito Slim Shady, 50 Cent, Tupac, Snoop Dogg e, uns aninhos depois, Notorious B.I.G..”

 

[Influências de Alverca]

“Quando cheguei ao 10º ano já escrevia umas cenas, mas nada de muito sério, até que conheci o Lord e o Gerador. O Lord deve ter visto qualquer coisa em mim, bem lá no fundo, porque eu era bem wack. [risos] Mas ya, comecei a produzir umas coisinhas e, passado uns tempos, já estava a fazer bons instrumentais e rimas audíveis.

Tive imensa sorte de ter vivido essa fase da minha vida na Linha da Azambuja, que, para mim, é o berço dos melhores MCs, especialmente em Alverca, onde estavam os colossos Sage, Rivolean, Legalize L.A., Mixtereo, Gerador ou o M.V.. Posso dizer que foi a ouvi-los que comecei a apostar mais no rap. Depois surgiu a NYXTreva, o grupo que me acolheu e que até hoje me inspira a fazer o melhor rap possível.”

 

[EU: o primeiro LP]

“O EU foi criado com o objectivo de mostrar um pouco da minha realidade e dos meus desejos para o futuro, e também porque este, sendo o primeiro projecto, achei que devia ser a minha ‘cara’, por assim dizer. Queria que quem o ouvisse me conhecesse e conhecesse o meu tipo de música. Algumas das faixas foram realizadas em fases menos boas deste ano e, se calhar, mostram uma cena mais sentimental, enquanto outras foram feitas com o propósito de motivar tanto a mim como a quem as ouvisse.”

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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