Filho Único convida G Fema, Maria Reis e Sreya para um espectáculo inédito no Lux Frágil

[TEXTO E FOTO] Gonçalo Oliveira [EDIÇÃO DE FOTO] Sebastião Santana

Esta noite são elas quem mais brilham no Lux Frágil. G Fema, Maria Reis e Sreya foram as artistas escolhidas pela Filho Único para uma curadoria que se insere no âmbito das celebrações do vigésimo aniversário do club lisboeta, e vão estar no bar acompanhadas por Shaka Lion no papel de DJ.

DJ Marcelle é a convidada internacional e vai tomar conta do resto do serão com uma escolha musical bastante ecléctica, que vai da música ambiente desritmada ao techno mais pulsante, com paragens pelo hip hop, a soul ou o reggae. Maria Reis é uma adepta da holandesa: “Não há ninguém com uma capacidade de escolher músicas como a Marcelle. Ela é bastante flexível. Quero bué vê-la no Lux porque é uma casa mais orientada para o techno. Quero ver como é que ela reage a isso”.

O Rimas e Batidas foi ao encontro das três artistas portuguesas na loja de discos Flur, e trocou algumas impressões acerca do momento individual de cada uma das protagonistas deste encontro, oriundas de géneros distintos mas unidas pela força das palavras na noite de hoje. “Não faço ideia do que vai acontecer”, atira Maria Reis entre sorrisos, sublinhando que foi a Filho Único quem lançou o desafio e organizou tudo. “Foi ideia da Filho Único e achámos uma boa oportunidade para tocar no Lux”. As actuações decorrem à vez, em blocos de 20 minutos, não havendo no horizonte nenhum plano para uma colaboração inédita entre o trio.

 



Apesar de ser a mais veterana a nível de anos de carreira, G Fema era a única que não conhecia a obra das duas colegas quando recebeu o convite por parte da Filho Único, uma lacuna que veio rapidamente a colmatar para dar o “sim” à promotora. “Vou cantar alguns temas novos”, revelou ao ReB, aproveitando a conversa para desvendar quais serão os seus próximos passos: “Estou a preparar singles para lançar no ano que vem, em 2019. Vão sair videoclipes. Estou a trabalhar com o Katana Produções. A ideia será depois juntá-los todos num álbum, uma coisa mais elaborada. Estou a fazer tudo passo a passo, sem pressas”. O primeiro LP da MC da Zona M, Chelas, não podia estar a ser cozinhado em melhor altura, agora que o hip hop está a conquistar cada vez mais terreno no espectro das audiências em Portugal. “O hip hop tem vindo a evoluir e cada vez mais vão-se abrindo portas. Tanto no rap crioulo como no rap em português, até mesmo para as mulheres. É um caminho que é para continuar a fazer até chegarmos todos onde queremos. Ir até ao limite.”

 



Maria Reis surgiu ao lado da irmã Júlia nas Pega Monstro, uma dupla de rock indie que editou Casa de Cima em Junho do ano passado. Dois meses depois, Maria apontou baterias a uma carreira a solo, tendo recorrido à Cafetra Records para lançar o seu primeiro projecto de sempre em nome próprio. “Eu decidi fechar-me em casa durante o Verão, a gravar no quarto o meu primeiro trabalho a solo. Gostei. Foi todo ele feito no espaço de algumas semanas. Composto e gravado. Serviu para me libertar. Todo ele tocado por mim. Eu faço arranjos, toco um bocado de tudo. Tento, com as minhas limitações, fazer qualquer coisa que eu acho que as canções estão a pedir. Por vezes há coisas que tens na cabeça e quando as vais fazer não saem bem assim, mas é normal, somos humanos. É um projecto honesto.”

Para a multifacetada artista lisboeta, MARIA simboliza o primeiro passo numa caminhada que terá continuidade, até porque o primeiro longa-duração está neste momento a ser meticulosamente elaborado em laboratório, junto de alguns produtores que lhe são próximos. “O álbum está a ser feito de uma forma bastante diferente. Estou a trabalhar cada canção com um produtor diferente. Já gravei em Vigo, com uns amigos que são produtores. Acabei de gravar com o B Fachada, com o Leonardo Bindilatti dos Iguanas. Estou a recolher produções de várias pessoas diferentes. O disco vai acabar por ter sons diferentes. É uma cena colaborativa. Eu sei mais ou menos aquilo que quero, mas acaba por ter tudo uma interpretação diferente, dependendo da pessoa que está a trabalhar comigo. E eu também estou disponível para fazer coisas que, se calhar, não estou habituada a fazer”. São precisamente estes novos temas vão integrar o seu set desta noite.

 



Antes de Conan Osiris ter virado Portugal ao contrário com Adoro Bolos, Sreya foi a artista que recorreu ao versátil autor para a auxiliar no projecto de estreia. Emocional saiu em Junho passado e compilou sete temas que vão desde o eurodance vintage ao cada vez mais progressivo kuduro. “Foi o meu primeiro projecto. Fi-lo com o Conan Osiris. Antes disso, nós tínhamos uma banda quase fantasma que já tinha parado de tocar há bué. Essa era a minha única ligação com a música e eu fazia mesmo muito pouca coisa. Sou uma ‘recém-nascida’, completamente. Fiz aquilo por brincadeira e estou aqui nem sei muito bem como [risos].”

Para o concerto planeado para esta noite, músicas como “59 Estrelas” ou “Flores Picantes” são os principais ingredientes para nos fazerem dançar. Durante a conversa com o ReB, Sreya explicou todos os passos que a levaram a concluir Emocional: “Eu e o Conan fizemos o álbum em conjunto. Enquanto ele estava a compor eu não estava ao lado dele, porque seria uma grande seca. [Risos] Eu dizia-lhe mais ou menos os moods das canções. Algumas letras são só minhas e outras são co-escritas por ele. É uma forma muito estranha de se fazer um álbum. Eu dizia-lhe alguns instrumentos que achava que faziam sentido, algumas sonoridades que eu queria naquela música, e ele ia compondo. Foi um trabalho bué fixe. Nós rimo-nos bué e divertimo-nos imenso. Foi feito mesmo para nos divertirmos. Uma brincadeira.”

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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