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Fever Ray no NOS Primavera Sound: o público dança Nídia

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTOS] Hugo Lima

Entre o jazz de Thundercat e o histerismo em A$AP Rocky conseguimos espreitar Fever Ray. O recinto do Palco Seat não estava cheio quando entraram as seis mulheres numa espécie de desfile de excentricidades. Um fato às flores, uma coleira na cara, um macacão de músculos cor de laranja, a maquilhagem carregada: uma a uma iam ocupando os seus lugares em palco. Duas senhoras nas percussões, uma nas teclas, duas nos coros e Karin Dreijer a meio com uma t-shirt branca com uma frase estampada que dizia “eu amo raparigas suecas“.

Vinha aí mensagem ou não fosse Plunge, o segundo da carreira a solo da artista sueca, rico em crítica social e política. “This Country”, escolhida para número três do alinhamento, prova-o. “Free abortions and clean water. Destroy nuclear. Destroy boring”, canta Karin. Vagueando entre o álbum de 2017 e aquele que lançou já em 2009 — quando os The Knife, que divide com o irmão, ainda eram uma banda sem ponto final — o público foi aumentando e reagindo à electrónica de ritmos que não imaginamos tão nórdicos assim e aos gestos coreografados e provocadores das artistas.

Pelo meio da dúzia de temas surgia pontualmente um “obrigado” apenas e silêncio, nas colunas, enquanto a banda se preparava para a canção seguinte. A ausência de palavras foi mais ensurdecedora no final de “IDK About You”. O instrumental produzido pela portuguesa Nídia foi dançado e aplaudido de forma mais efusiva do que qualquer música que tenha sido tocada anteriormente. Porém, a interacção que veio do palco foi a mesma. Eu não sei quanto a ti, Karin, mas deste lado esperávamos algo mais…

 


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