Festival FORTE – Dia 2: Luz, cor e BPMs

[TEXTO] Diogo Pereira [FOTO] Direitos Reservados 

A segunda noite do Forte começou bem quente com Lucy e as suas batidas de fazer tremer o chão combinadas com samples étnicas. O DJ italiano ofereceu-nos uma dose de deep house para variar do techno de ontem. Destaque para os visuais, que incluíram um bonito e melancólico passeio por uma floresta a preto e branco, tal e qual o jovem rapaz protagonista do jogo LIMBO, bem como uma viagem por montes cobertos por uma grelha axadrezada digital a fazer lembrar os gráficos retro de um vídeo de IDM da Warp dos anos 90.

E fechou com chave de ouro, com uma versão tribal do clássico de jazz-house “Rose Rouge” de St. Germain. Que bom ouvir saxofones e a voz de Marlena Shaw num festival de techno.

Seguiu-se o sueco Peder Mannerfelt, desta vez sem a sua cabeleira loura habitual, mas envergando aquilo que parecia ser um colete laranja fluorescente com suspensórios, que começou por nos brindar com uma miríade de efeitos estranhos, como scratch, reverse e um osciloscópio, entre outros. A batida demorou a entrar mas uma vez que entrou nunca mais se foi embora. A juntar-se a ela, sons violentos de sirenes. Mais uma vez, Ken Ishii a fazer-se ouvir. Atrás de si, na tela, um conjunto de círculos concêntricos ia mantendo-nos hipnotizados como a famosa cassete de The Ring. Perto do final, uma voz repetia obsessivamente “temporary psychosis”. Talvez um dos inevitáveis efeitos secundários de perder o sono e passar as noites a abanar a cabeça ao som de techno dentro de um castelo. Nada de muito grave, esperemos.

O público demorou um pouco a aderir inicialmente, mas a partir da uma a arena ficou cheia, numa noite que conseguiu atrair ainda mais pessoas do que ontem.

 


Oscar Mulero stepped in. Next 2 hours of straight-forward techno #festivalforte2017 #polegroup #oscarmulero #visuals

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Oscar Mullero ofereceu-nos um dos sets mais intensos e minimais da noite, dando ênfase a um kick potente e contínuo que pôs toda a gente de braços no ar, enquanto atrás de si um planeta de atmosfera ardente girava sob si em perpétua rotação.

A certa altura, as BPMs foram tantas que as ouvir assemelhou-se a encostar o ouvido ao peito de um monstro disforme e alucinado que ameaçava engolir o castelo inteiro e depois trepar pelas muralhas fora e invadir a cidade, e escutar o seu coração acelerado a bater com um estetoscópio ultrassensível.

E foi o primeiro a fazer uso das luzes por baixo do seu deck, gesto que marcou pela sua originalidade. Foi seu um dos mais completos e deslumbrantes jogos de luz da noite, com holofotes brancos nas muralhas e a rodear o palco inteiro, além dos habituais strobes.

Desta vez, o experimentalismo coube ao público, que foi visto a trepar às árvores para tentar sacar os cálices pendurados dos galhos, dançando com macacos de peluche e um fato de banana.

 


Jeff Mills “the wizard” giving a techno lesson #festivalforte2017 #techno #acid #909 #visuals #vjing

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Sai Oscar e entra Jeff Mills, um dos mestres do techno de Detroit, que nos lembrou porque é que ninguém toca TR-909 como ele. Kick profundo e hi-hat no ponto. Sem qualquer introdução começou logo na batida, martelando-nos mesmo junto ao ouvido como uma máquina de ressonância magnética, naquele que foi sem dúvida o set mais violento até agora, e que atraiu mais pessoas à pista, com um único foco de luz atrás dele a emitir luz branca para o público e o céu. Fez jus aos seus lendários sets, levando-nos de volta à Detroit dos anos 90. Ao longo do gig ia-nos provocando, em momentos nos quais emudecia o som apenas para depois reforçar a batida ainda mais. Teaser. E é claro que tocou “The Bells”.

Destaque também para os gráficos de estátuas gregas clássicas a três dimensões abraçadas numa pose de amor eterno. A mesma iconografia do vaporwave, mas com inegável bom gosto.

O dia fechou com um longo e duro set de DVS1, semelhante aos que o antecederam, mas com o toque mui original e excêntrico de começar com uma sample do famoso discurso de Charles Chaplin em The Great Dictator. “You are men, not machines!” Fica a mensagem para o raver consciencioso.

Na segunda ronda, a violência dos ritmos foi mais intensa para fazer vibrar um público ainda maior, numa noite que se tornou febril e imprópria para cardíacos. E mesmo quem estava longe do palco e da multidão sentiu-se fisicamente atingido pelas ondas sonoras, um efeito impressionante.

A noite de hoje guarda algumas surpresas, e promete ser ainda mais intensa. Aguardamos de pés na terra e ouvidos no céu.

 


DVS taking the decks until 9:00 #festivalforte2017 #techno #lights #sunrise

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