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FARWARMTH: nova electrónica sombria nacional ao vivo no DAMAS

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Raquel Sousa

Afonso Arrepia Ferreira é FARWARMTH, um projecto exploratório de electrónica exposta no espectro mais ambiental e experimental da produção contemporânea, estruturado em derivas que soam como as movimentações do próprio tempo diante da imensidão cósmica. Amanhã, o jovem músico apresenta-se no espaço Damas num evento que inclui também apresentação ao vivo de Like a Villain e DJ set de Violet. A ocasião é a apresentação formal de Immeasurable Heaven, trabalho que mereceu carimbo da etiqueta londrina ACR.

O perfil do projecto de Afonso Arrepia Ferreira é traçado pelo próprio, em declarações enviadas por email.

 



Podes começar por te apresentar, por favor? Fala-nos do teu percurso e da identidade FARWARMTH.

Ao chegar a Bragança vindo do Porto, com uns 5 anos, comecei por estudar piano desde pequeno no conservatório local mas uma outra mudança, para Lisboa, abriu novas portas e despertou outros interesses tanto na música como no papel do instrumento.

A improvisação tornou-se algo natural, e daí surgiram primeiras composições, sem grande forma nem razão de ser, apenas explorava.

Com o tempo descobri também outros instrumentos com teclas além do piano acústico e entre sintetizadores e softwares o projecto foi, pouco a pouco, crescendo até ao fim de 2015 quando publiquei um pequeno EP online e usei pela primeira vez o nome FARWARMTH.

Quais dirias que são as coordenadas / referências / influências para este trabalho? Ajuda-nos a localizá-lo no mapa musical contemporâneo…

Anteriormente ao que faço e ouço hoje, passei a adolescência entre deathcore e witch house e, de certa forma, não sei bem como, creio que isso contribuiu para os resultados finais que se podem ouvir. Foi a partir dessa electrónica sombria pouco duradoura que fui apresentado a sonoridades que se enquadram no drone ou ambient, electrónica ou experimental, sejam lá quais forem os nomes certos para me referir ao que faço.

Nos últimos dois anos têm-me apontado referências óbvias como Tim Hecker e Ben Frost, e, mais recentemente, devido ao lançamento deste álbum falaram-me em Max Richter e Boards of Canada.

Quanto à minha visão pessoal, penso sempre em influencias como algo inconsciente, não começo a construir ou compor uma faixa com a ideia de soar ao artista x ou y, aliás maior parte da minha música parte inteiramente da improvisação ou do esculpir de um instrumento, e não de conceitos ou com um final em mente.

Cruzas electrónica e instrumentos acústicos que associamos também ao universo da clássica erudita, como a flauta ou o violoncelo. Tentativa de humanização de uma linguagem que poderá parecer mais fria ou clínica? Ou simples procura de recursos tímbricos adicionais para a execução das tuas ideias?

Não creio de todo que a minha escolha de instrumentos acústicos fundidos na maquinaria e processamento sejam uma tentativa de humanização, penso que apenas de um portátil pode nascer uma obra completamente orgânica, partindo da mão de um ser humano. Além de seleccionar alguns VSTs no meio de centenas, ou optar por este ou aquele sintetizador, vejo como uma boa opção pegar em instrumentos acústicos e moldar essas fontes sonoras para chegar a um “novo” som/instrumento. É também uma maneira de dar ao álbum uma certa diversidade tímbrica.

Vamos poder ouvir isto ao vivo?

Já se tem ouvido grande parte deste álbum nos últimos meses. Em meados de 2017 já tocava algumas peças que acabariam por evoluir até acabarem no álbum, e mais recentemente, dia 24 de Fevereiro deste ano, no Festival Rescaldo, acabei por tocar na garagem da Culturgest uma grande parte do novo álbum ainda por lançar na altura. Posso revelar que o próximos concerto é já amanhã, dia 14 de Abril, no Damas, em Lisboa. Depois, a 11 de Maio, apresento-me na FBAUL.

 


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