Faixa-a-faixa: o novo EP de YOUNGSTUD explicado pelo próprio

[FOTO/ARTWORK] Jezz

Acaba de chegar Aversão, o mais recente EP de YOUNGSTUD (anteriormente estilizado como Yvng $tvd). Após uma série de projectos de curta duração, criados através de um processo maioritariamente solitário, o rapper e produtor de Alverca foi à procura de inputs exteriores que o ajudassem a esculpir um som artisticamente mais ambicioso. O trabalho de escrita — e este pode muito bem ser o seu projecto mais pessoal até à data — mantém-se conotado a uma individualidade bastante característica nos MCs liricamente mais extravagantes. Na criação das batidas, YOUNGSTUD abdica do controlo absoluto sobre o processo criativo da sua obra, cingindo-se à (não menos importante) co-produção de alguns dos temas e a alguns toques cirúrgicos no plano instrumental.

Tayob J. foi o primeiro nome a quem Pedro Campos recorreu e Aversão começou a ganhar os primeiros contornos no Noiz Estúdio, em Loures. Maria, produtor que se estreou recentemente pela Monster Jinx, também de Alverca, é uma “paixão” antiga de YOUNGSTUD. Os contactos via Facebook rapidamente passaram a encontros presenciais com o intuito de fecharem uma faixa em conjunto. A combinação explosiva de “AYAHUASCA” levou-os a aprofundar a relação musical e a contribuição de Maria em Aversão foi determinante para que YOUNGSTUD se apresentasse ao público de cara lavada. E isso “vê-se” também na colaboração com Jezz, a responsável por todo o lado visual desta nova aventura do rapper e produtor.

 


[“SHUTTLE”]

“O ‘SHUTTLE’ é basicamente a intro do ‘filme’. É uma primeira camada de compreensão do que se vai passar depois ao longo do EP. Daí ter aquela introdução mais extensa antes de começar a rimar, genialmente produzida pelo Maria. Depois o resto do som (a parte rimada) foi produzido por mim. ‘O shuttle é instável, a viagem não vai ser agradável…’, é um auto-retrato, como muitos dos meus sons, mas com muito mais noção e distanciamento para interpretar sentimentos f****** que experienciei em fases de merda da minha vida, e que talvez só agora as consegui interpretar e, consequentemente, materializar melhor numa letra.”

 


[“OMERTA”]

“O ‘OMERTA’ é aquele som que podia não ter acontecido mas que aconteceu super rápido e ainda bem. Eu já ia fechar o EP com 5 faixas quando, numa tarde, andava em casa a ouvir umas merdas e ouvi um som do c****** que me alertou logo tipo instant sample bitch. Fiz o beat e escrevi a letra numa tarde. Depois o Maria adicionou aquelas keys e breaks mágicos e pronto. Se pesquisarem a palavra que dá título ao som vão perceber a relação com o significado. Fala da inversão de princípios na sociedade e da minha própria análise de certas merdas relacionadas com isso, quase de como se deve ou não viver uma vida para que seja digna, I guess.”

 


[“ADIÇÃO”]

“Este é um som precisamente sobre adição, nos mais variados espectros. É o saber que não deves mas vais na mesma, porque queres ir na mesma. E mostra que a adição não tem que ser só uma coisa negativa ou positiva. É só uma coisa bué vaga, bué relativa. Inicialmente eu produzi o beat para isto mas dei ao Maria e ele deu um ganda twist em tudo e fez o instrumental também daquela “outro” do som. Até brincámos com a cena porque eu disse-lhe que o beat já não era meu mas estava do c******. Basicamente eu fui mais co-produtor. Produzi o croquis que o Maria trabalhou na linguagem dele e saiu-lhe este instrumental do catano.”

 


[“DÁ-ME UM PILL”]

“O quarto tema é muito pessoal. Brilhantemente produzido pelo Tayob (que fez todo o trabalho de gravação, mistura e masterização do EP), é uma dica bué contemplativa do ‘eu’ e das minhas visões e reminiscências de cenas aleatórias de uma fase em que tomava anti-depressivos e que só agora, à semelhança de outros temas do álbum, tive o distanciamento suficiente para descrever.”

 


[“ÍPSILON”]

“A ‘ÍPSILON’ é relatable para bué gente, de certeza. É um retrato de algumas noites de Lisboa e do paralelismo disso com o mindset da geração Y. Um ‘beatalhão’ do Tayob.”

 


[“AYAHUASCA”]

“‘AYAHUASCA'” foi o single e o ponto de partida que me encaminhou para isto. Simboliza o desejo de redenção. Supa dupa beat do Maria.”

 


[ARTWORK]

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