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Texto: ReB Team
Fotografia: Francisco Nave
Publicado a: 13/02/2026

Nove temas de diferentes tonalidades.

Faixa-a-faixa: unlikely, maybe, de Bruno Pernadas, explicado pelo próprio

Texto: ReB Team
Fotografia: Francisco Nave
Publicado a: 13/02/2026

Bruno Pernadas lançou hoje o seu quinto álbum de originais, unlikely, maybe, numa edição Pataca Discos. Já disponível em todas as plataformas digitais (e em breve também em CD e vinil), o novo trabalho reúne nove composições pensadas para secção rítmica, vozes, metais, madeiras e eletrónica. É um disco que percorre diferentes geografias sonoras, da fusão dos anos 80 à pop de recorte mais requintado, do jazz mais livre ao dancehall enraizado na cultura soundsystem jamaicana.

Assinado por Bruno Pernadas enquanto compositor, autor e produtor — partilhando a letra de “Já Não Tem Mais Encanto” com Rita Westwood — o álbum conta com a participação de Margarida Campelo, António Quintino, João Correia, Diogo Alexandre, José Soares, Teresa Costa, Jéssica Pina e Eduardo Lála, e ainda com as vozes convidadas de Leonor Arnaut, Lívia Nestrovski e Maya Blandy. Foi gravado no verão de 2025 entre Lisboa, Porto, Funchal, Azeitão e o próprio apartamento de Bruno, em pleno dia e sem isolamento acústico.

A apresentação ao vivo acontece já nos dias 19 e 20 de fevereiro, na Culturgest, em Lisboa, às 21h00 — estando a primeira data esgotada — seguindo depois para o Auditório de Espinho – Academia, no dia 21 de fevereiro, às 21h30, igualmente esgotado. Em palco, Bruno Pernadas assume a direcção musical, nas guitarras, sintetizadores e voz, sendo acompanhado por António Quintino no baixo elétrico e contrabaixo, João Correia na bateria, José Diogo Martins no Rhodes e sintetizadores, Jéssica Pina no trompete, flugelhorn e voz, Maria João Leite no saxofone, flauta e voz, Teresa Costa (em Lisboa) e Clara Saleiro (em Espinho) na flauta e voz, Afonso Cabral na voz e guitarras e ainda pela voz convidada de Leonor Arnaut.

É neste contexto, entre o lançamento do álbum e os primeiros concertos de apresentação, que Bruno Pernadas partilha, em discurso directo, as histórias por detrás de cada tema de unlikely, maybe.


[“Untitled (raindrops)”]

“O ‘Untitled’ foi das primeiras músicas que fiz para este disco. Acho que é das mais antigas, a par do ‘Campus on Fire’. Quando a fiz, tinha a certeza que ia entrar no disco e que ia ser a primeira faixa. A não ser que surgisse um candidato melhor, o que não aconteceu. A música tinha um final diferente. Aquele final que agora se ouve, com três mudanças de tom, surgiu meio de improviso. Experimentei só para tirar essa hipótese da frente e gostei tanto que acabou por ficar. Ficou muito mais interessante assim”.


[“Juro que vi túlipas”]

“Esta música tem uma coincidência engraçada. Eu juro que não sabia que a MARO tinha uma música chamada ‘Juro Que Vi Flores’. Conheço-a, mas não conhecia essa canção. Há quem ache que eu conhecia e que roubei o título, mudando uma palavra, mas isso não é verdade. A música foi feita em pauta. Gravei apenas o solo, aquele solo com um pedal que simula uma espécie de vocoder, e o solo que está na demo é o que ficou no disco. No final, fiz um rap e cantei eu, mas nunca fiquei muito satisfeito com a minha voz. Convidei várias pessoas para fazerem o rap e ninguém quis. No verão passado, estava a dar uma formação no Funchal e conheci a Maya Blandy. Dei-me muito bem com ela e fiz-lhe a proposta. Ela aceitou logo e deixou-me completamente à vontade para experimentar. Gravámos de manhã e correu tudo à primeira. Fiquei muito contente com essa solução. A voz dela é incrível”.


[“Steady Grace”]

“’Steady Grace’ surgiu de uma improvisação com um teclado pequenino, um Casio que trouxe de Berlim há muitos anos. Estava a improvisar e deixei o telefone a gravar. Mais tarde, quando fui ouvir, adorei. É a minha música preferida do disco. Não só por ser dancehall ou rocksteady, mas porque a melodia e a harmonia funcionariam noutra abordagem qualquer. Gravei os instrumentos aqui no escritório, liguei um órgão a um delay e fiz tudo de seguida. No final achei que devia ter aquele momento mais dub, que ao vivo podemos prolongar. Mas em disco fazia sentido manter a duração”.


[“Já não tem mais encanto”]

“Foi um samba que fiz porque me apeteceu fazer um samba contemporâneo. Nunca pensei que fosse entrar no álbum, mas depois decidimos gravar. Convidei algumas cantoras brasileiras e não resultou. Depois uma amiga falou-me da Lívia Nestrovski. Fui ouvir, vi que ela já me seguia, falámos e demo-nos logo bem. Quando veio a Portugal, fomos para o estúdio e correu tudo lindamente. É também a única música que assino como coautor com a Rita Westwood, que participou na letra”.


[“Campus on Fire”]

“É das mais antigas do disco. A ideia partiu de imaginar que eu presenciava a história de Fahrenheit 451 e depois sonhava com isso. A letra é como se fosse o meu sonho sobre essa história. Escrevi partes em Portugal, depois em Berlim, e o resto da letra numa viagem de comboio entre Berlim e Utrecht. Sempre soube que queria que fizesse parte do álbum”.


[“His world”]

“No início, não era para entrar no disco. Mostrei a amigos e comecei a receber elogios. Decidimos gravar e depois logo se via. A música começou a ganhar outra forma, sobretudo com aquela jam final. Comecei a gostar mais dela e achei que fazia sentido incluí-la. Gosto muito daquele refrão meio R&B indie”.


[“Spiritual Spaceman”]

“Fiz esta música com a banda antiga, em tour. Já a tocámos várias vezes ao vivo antes de a gravar. Queria muito registá-la. Convidei a Leonor para cantar. Gravámos no estúdio Arda, no Porto, todos a tocar ao mesmo tempo. As versões eram enormes por causa dos solos, por isso tivemos de editar. A ideia inicial era no final ser a voz da Leonor com a Margarida a responder. Mas no estúdio lembrei-me de perguntar se todos queriam cantar. Toda a gente aceitou e gravámos um coro no centro da sala. Ficou incrível, ainda por cima com a chamber do estúdio”.


[“Leo Minor”]

“As pessoas pensam que ‘Leo’ é por causa da Leonor, mas é coincidência. É o nome de uma constelação. Fiz esta música em digressão. Já a toquei muitas vezes, até no Japão. Sempre soube que ia fazer parte do disco”.


[“Song in MT-65”]

“O título é uma piada. Em vez de ‘Canção em Ré’ ou ‘Canção em Fá’, é ‘Canção em MT-65’, que é o modelo do teclado. Como se o teclado fosse a tonalidade. No início era para ser uma coisa mais agressiva, mais repetitiva, quase punk. Mas quando foi tocada tomou outro caminho. Não ficou como eu imaginei, mas acabei por gostar e incluí no álbum. Curiosamente, apesar de parecer mais difícil, não é. A mais difícil de tocar é ‘Juro que vi túlipas’”.

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