Faixa-a-faixa: o novo álbum de Branko explicado pelo próprio

[FOTO] Maria Govea

Quatro anos depois do lançamento de ATLAS, o seu disco de estreia a solo que culminou numa série para a RTP 2, Branko edita Nosso, um conjunto de 11 canções em que reúne artistas como Dino D’Santiago, Sango, Pierre Kwenders ou Dengue Dengue Dengue, não esquecendo também PEDRO, companheiro da Enchufada que só não coloca o seu nome nos créditos de “Lucuma”.

Ao Rimas e Batidas, João Barbosa revelou, faixa-a-faixa, pormenores que te vão ajudar a decifrar o seu novo longa-duração.


[“Over There”] feat. Miles Kinshasa

“O ‘Over There’ nasceu de uma tarde de estúdio com o Miles From Kinshasa, em Londres, onde gravámos imensas ideias de voz em cima de um beat que era bem mais atmosférico. Quando regressei a Lisboa com o tema, trabalhei numa versão mais minimalista em que o equilíbrio entre a voz e o instrumental fosse mais bem conseguido. Gosto desta ideia de, enquanto produtor, ter voz da mesma forma que o Santana ou o Mark Knopfler têm os seus solos de guitarra. Eu gosto de conectar directamente com o ouvinte em determinados momentos. O tema tem tanto de tarraxo como de r&b londrino com um piscar de olhos a Kinshasa. Foi o primeiro som com voz e saiu exactamente no mesmo dia em que o tocámos juntos no NOS Alive em Julho de 2018.”


[“Movimento”]

“Foi dos últimos temas a ser terminado no disco. Queria alguma coisa com a mesma vibe de um remix que fiz para o tema ‘Na Madruga’ dos brasileiros BadSista e Tap, que saiu como parte da compilação Enchufada Na Zona. Comecei por saber que o lead seria uma flauta e o resto aconteceu, o PEDRO criou o loop principal de drums e o nome veio de um sample de voz do lendário percussionista brasileiro João Parahyba em entrevista para o Club Atlas da RTP 2, e que usei no final do tema.”


[“Stand By”] feat. Umi Copper

“Esta é, sem dúvidas, dos temas que fiz que mais gosto, adoro a combinação de três acordes simples com o baile funk e a enorme voz do Umi Copper. A ideia do beat surgiu em conjunto com um produtor American, o SWISHA, quando estávamos em Montreal, no Canadá, por causa da Red Bull Music Academy em 2016 e depois gravei a canção com o Umi em LA no Verão de 2017. Conheci o Umi com o tema ‘All’, fiquei imediatamente viciado e achei que seria perfeito para esta perspectiva soul meets baile funk que já queria colocar em prática há muito tempo.”


[“Hear From You”] feat. Sango & Cosima

“Uma junção de três pessoas altamente distantes umas das outras, mas que pensam e respiram música com uma atitude similar, sem fronteiras, géneros, embalagens, etc. Sou muito fã do Sango e do trabalho dele de reinterpretação da música urbana brasileira. Sempre quis trabalhar com ele. Quando a Cosima me apareceu à ‘frente’ no Spotify, comecei imediatamente a tentar trabalhar com ela porque achei que tinha uma voz incrível e única. Fiquei muito feliz com o resultado e sinto que é talvez das canções mais completas que alguma vez fiz.”


[“MPTS (Chords Version)”] feat. PEDRO

“Talvez o tema com mais versões da história do meu portátil. Criámos esta versão como a versão final deste ‘MPTS’, mas, semanas antes do lançamento da primeira versão, em Fevereiro de 2018, eu e o PEDRO decidimos que, sendo um single, iria fazer mais sentido despir ainda mais canção e criar um club tool assumido. Desde essa altura que pensei que esta versão que agora está incluída no disco seria perfeita como parte de uma obra mais completa onde a escuta pudesse não ser totalmente orientada para a pista de dança. Depois destas duas versões, fizemos também várias tentativas de versões vocais mas nenhuma acabou por fazer a diferença.”


[“Sempre”] feat. Mallu Magalhães

“Acho que acima de tudo sou muito fã da Mallu e é um privilégio enorme poder partilhar a Lisboa com um dos casais mais talentosos da música brasileira. Como tal, eu não ia desistir até conseguir que nos juntássemos em estúdio para tentar criar algo que fizesse a conexão dos dois mundos, chegámos a ter toda uma outra ideia diferente anterior, mas sentimos que podia ser algo ainda melhor e continuámos a procurar. Em termos de sonoridade fez-me muito sentido refrescar a memória de uma temporada em que o Brasil foi pioneiro em estabelecer a ligação entre a música tradicional e a electrónica, que foi desde Dj Marky ao falecido produtor Suba.”


[Amours d’Été] feat. Pierre Kwenders

“É um dos meus sons favoritos do disco. Trabalhei na ideia inicial do instrumental quase como um tributo a discos clássicos antigos de zouk das Antilhas, mas depois com os drums e com as texturas de alguns elementos acabei por trazer essa ideia clássica para 2019. Pensei que tinha de ser cantado em francês e acabei por concretizar a ideia quando o Pierre Kwenders, que já conhecia anteriormente da Moonshine, a festa que ele e a sua crew organizam mensalmente em Montreal, no Canadá, visitou Lisboa em 2017. Passámos uma tarde em estúdio e ficou fechado! Também tive a oportunidade de o entrevistar para a série documental Club Atlas na RTP 2, admiro-o muito e penso que temos muito em comum na forma como pensamos a música.”


[“Tudo Certo”] feat. Dino D’Santiago

“Depois do ‘Nova Lisboa’ não deu para não continuar a trabalhar com o Dino em tudo o que fosse possível. É a voz do momento por tudo o que representa a nível musical, cultural e social. Este tema começou como uma ideia bem mais calma e foi ganhando velocidade à medida que íamos elevando o nível em busca do tema que fazia falta a ambos. Fizemos imensas versões algumas delas são quase músicas totalmente novas e diferentes, o Kalaf ajudou na letra e o PEDRO no instrumental (como em quase todo o disco).”


[“Bleza”]

“Este tema é totalmente inspirado pelas noites Na Surra da Enchufada, daí ter escolhido o nome da sala onde acontecem como título. Começou como sendo um remix deste clássico do semba de Elias Dia Kimuezo, mas, por falta de autorizações para a utilização do sample, acabei por pedir ao Dodas Spencer para gravar algumas ideias de guitarra para substituir o sample. Nestas coisas nunca gosto de pedir coisas ‘parecidas’, prefiro nem tentar chegar perto do sample e partir logo para uma direcção diferente.”


[“Agua Con Sal”] feat. Catalina García

“Este tema começou quando a Catalina, que é a vocalista do grupo colombiano Monsieur Periné, postou nas stories do Instagram dela um vídeo a dançar uma tema meu, fui ouvir o trabalho dela e fiquei super focado em conseguir que trabalhássemos juntos. Infelizmente nunca chegámos a trabalhar juntos na mesma sala, mas acho que foi super orgânico e automático o nosso entendimento e ideia para a canção. É o tema mais alegre do disco!”


[“Lucuma”] feat. Dengue Dengue Dengue

“Este tema começou a ser criado no Peru, depois fizemos uma sessão em Berlim e mais tarde terminei o som em Lisboa. Mais importante do que explicar o que o tema representa gostava de convidar as pessoas a assistirem a este mini-documentário, que, entre muita história bonita e importante, tem também imagens de algumas das gravações das percussões com os irmãos Ballumbrosio que acabámos por usar aqui. ‘Lucuma’, o título da faixa, vem de uma fruta considerada um dos super alimentos da natureza. “


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