Évora Urban Village’19 – 19 de Setembro: o graffiti anda aqui há milhares de anos

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTOS] Amanda Morais/ Évora Urban Village

O Évora Urban Village é mais um argumento para se dar atenção a esta milenar cidade alentejana para lá de templos dedicados a deusas romanas ou capelas forradas a ossadas. Esta cidade tem história, como todos sabemos, mas tem também um presente vibrante, como quem percebeu quem por aqui andou em Agosto, deambulando por um Bairro onde se cruzaram nomes como Chullage, Allen Halloween ou Dealema.

Um certo arquitecto terá dito um dia que o campo é um sítio tão saudável que deveria ser lá que as novas cidades poderiam nascer. Évora é ela mesma uma perfeita candidata a uma nova noção de urbanidade, menos tocada pela azáfama e pelas armadilhas da grande cidade, mais aberta a soluções mais harmoniosas que possam resolver o compromisso entre a qualidade de vida e o amplo acesso a cultura, a arte, a novos rumos. Esta Urban Village é isso mesmo: espaço de encontro entre música e dança, lugar de confluência entre arte urbana, gente que quer discutir e visões críticas da história desta cultura de rimas e batidas, de cores e movimentos.

Ontem, depois de uma interessante palestra por Max Oliveira, homem do leme do ultra-premiado colectivo portuense Momentum Crew — 10 títulos mundiais em diversas categorias para os seus B-Boys — que nos levou pela história desta cultura do ponto de vista da expressão física da dança numa emotiva sessão que recorreu a vídeo e a interacção com o público, foi a vez da apresentação de Válvula, um fantástico espectáculo/reflexão a cargo do ilustrador António Jorge Gonçalves e do rapper LBC Soldjah.

O objecto da reflexão crítica de Válvula é a história do graffiti, da street art, que a dupla entende como uma espécie de manifestação de resistência do indíviduo ao colectivo, presente desde que existem paredes, em grutas, pirâmides ou templos romanos, até aos dias de muros e comboios.

Entre rimas debitadas em expressivo crioulo por LBC e uma sempre cativante narração a cargo de António Jorge, assinou-se uma viagem crítica ao universo da expressão em paredes, procurando entender o lugar e o papel do writer, a sua mensagem e a razão do impulso para esta tão particular forma de arte.

No final houve ainda direito a aceso debate, em que se discutiu como se liga afinal o graffiti à cultura hip hop, com Max Oliveira a interpelar de forma crítica a dupla responsável por Válvula. Henrique Amaro, da Antena 3, colocou o ponto final da noite puxando por grooves vindos do Brasil mas com vocação universalista. Hoje a noite já se estende ao recinto principal, na Mata do Jardim Público, com a presença de Stereossauro e Virgul, para uma jornada de corpos que dançam noutro tipo de cidade.

(Nota: a programação musical e de dança de sábado, dia 21 de Setembro, foi transferida e realiza-se na Arena de Évora, mantendo-se a de hoje na Mata do Jardim Público, tal como previsto.)


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