[Estreia] Maze junta-se a Fantasma em “Valha-me Deus”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

“Valha-me Deus” é o terceiro single de Fantasma e conta com a participação de Maze, dos Dealema. O músico está, neste momento, a ultimar os detalhes de Perpétua, o EP de estreia que é apontado para o mês de Novembro.

Fantasma é o mais recente projecto musical de Miguel Correia, que agora se apresenta a solo, depois de ter feito parte de bandas do circuito metal e hardcore como More Than A Thousand, Men Eater, For The Glory ou Riding Pânico, passando ainda pelo cargo de produtor-executivo de Jeans Monroe, o primeiro trabalho de originais assinado pelo rapper de Quarteira Perigo Público. E para lá da música, há também de um percurso que tem sido trilhado em paralelo no universo da imagem: é como Mike Ghost que tem conceptualizado videoclipes e sessões fotográficas para marcas de roupa, revistas e artistas como Regula, Tribruto, Dino D’Santiago ou Sean Riley & The Slowriders.

Alvos de um tratamento visual em colaboração com Rosalvo Melo, “Negro Dia” e “Bruto” foram as primeiras canções editadas por Fantasma em 2019. “Valha-me Deus” junta-se agora à lista de singles que vão integrar o alinhamento de Perpétua, o curta-duração de apresentação.



Acabas de editar o “Valha-me Deus”, no qual contas com a participação do Maze, um dos MCs com mais história no panorama português. Como surge esta colaboração?

Acho que estávamos os dois numa fase que nos trouxe até aqui, foi tudo muito rápido e natural, mostrei-lhe o que andava a fazer com Fantasma desde do início, ele sempre teve actualizado e a par de todo o processo. Um dia quando estava a compor o que seria esta música, pensei em passar a bola para o lado dele, ele gostou do que ouviu, falei-lhe do assunto do qual a letra andava em redor e na mesma noite tinha um áudio dele com umas linhas. Contudo, depois disso tive de alterar um pouco a cadência da música para fazer ainda mais sentido e ser justo para os dois. Um par de “Valha-me Deus” depois tinhas a música fechada.

Esta nem é a primeira vez que abraças o hip hop na tua carreira de músico, tendo já registado o teu nome nos créditos do Jeans Monroe, do Perigo Público, enquanto produtor-executivo. Como é que se deu a tua ligação ao género?

A ligação acontece numa idade muito jovem, visto eu ser de Quarteira, uma cidade que sempre esteve ligada ao movimento e sempre teve a sua força, acho que de uma maneira quase carismática. Sempre gostei de música no geral, desde de puto que isso me foi incutido de forma natural. Em meu redor sempre se ouviu de tudo, Bonga, Roberto Carlos, Jimi Hendrix, Willie Nelson e muito mais. Nunca gostei de me fechar num género ou de levantar bandeiras, gosto de música no geral, claro que existem artistas que sigo com mais regularidade, mas, no geral, desde que me faça sentir algo pode ser qualquer género.

É algo que te vês a explorar mais no futuro, convidar artistas do espectro do hip hop a oferecer algum tipo de input à tua música?

Claro que sim e, neste momento, está algo a ser cozinhado. Ainda está a marinar mas já cheira bem. Sempre estive rodeado de artistas de todos os géneros, só nos faz bem estar assim, rodeado de pessoas diferentes em gosto musical ou ideias, é bom para evoluirmos como seres humanos primeiro que tudo. Não nos darmos ou não partilharmos ideias ou seja o que for, porque o “A” faz rap ou o “B” curte metalada, somos todos seres humanos, deixem-se de rótulos.

Este é o teu terceiro single do projecto Fantasma. O que se segue a partir daqui? Tens mais faixas na calha, talvez um EP ou até um disco? De que forma tens estado a trabalhar nisto?

É um EP, composto por 5 músicas. Em Novembro sai o quarto e último deste EP, a quinta música fica disponível logo após isto. Tenho estado a preparar o show de estreia, que gostava que ainda acontecesse este ano.

Todos estes temas têm sido entregues junto de um acompanhamento visual bastante específico, com jogos de luzes e sombras conjugados em edifícios. Sendo a fotografia outra das tuas paixões, que conceito foi este que procuraste aplicar ao Fantasma?

Foi um aglomerado de situações, normalmente gosto de pensar na música que faço sempre com uma imagem na cabeça, maior parte das vezes isso acontece e este primeiro registo aconteceu assim mesmo. O fantasma estar presente seria óbvio, pelo menos para já e isso ajudou-me a lá chegar. Depois, o assunto que o EP trata é algo que vivi de muito perto, voltas e voltas na cabeça, e visualmente está onde queria. Um grande amigo meu, o Rosalvo Melo, motion designer, músico e criativo, também ele esteve sempre a par do processo todo até que um dia resolvi enviar um desenho que tinha imaginado para a capa, mas não tinha ainda na cabeça o vídeo, e uns dias depois ele envia-me uns 30 segundos do que se tornou isto tudo visualmente, o que ajudou muito.

Tens uma história que te liga ao hardcore e ao metal, com passagens por bandas como More Than A Thousand, Men Eater ou Riding Pânico. De onde parte a vontade para esta aventura a solo e consequente mutação sonora enquanto Fantasma?

Levei uns dois anos até me recompor, foi uma espécie de rehab, passados quase 13 anos em tours, as passagens por todas as bandas ou projectos e o final de More Than A Thousand. Vi que precisava de parar urgentemente, tinha chegado a um lugar na minha cabeça onde dava por mim muito baralhado, daí ter então focado na fotografia, para me distrair um pouco disso. Já tinha feito um EP como Mike Ghost com três musicas e em inglês, saiu pela Volcom Entertainment, um show em Londres e outro em Santa Cruz e fechei o assunto. No final do ano passado senti que já estava mais leve, resolvi montar um estúdio em casa e ver se estava pronto para voltar. Dei por mim com estas músicas, que na altura nem sabia o que eram, muito menos em português. A sonoridade já cá estava, como disse, sempre ouvi música no geral e se foi isto que escrevi e estou a lançar é porque me identifico, contudo o Fantasma pode ser o que eu quiser, quando eu quiser, creio que tem um pouco de tudo sem ser muito vago. O EP, Perpétua, é isto. O disco que eventualmente se segue pode ter algo diferente, não sei.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira