[Estreia] lunn sobre CCC: “Há uma especial atenção ao sound design e um foco grande na progressão e dinâmica do som”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTOS] Direitos Reservados

lunn acaba de lançar o seu projecto de estreia através do canal de YouTube do Rimas e Batidas. Podem escutar CCC de seguida e descarregá-lo gratuitamente no SoundCloud do produtor.

Até este momento, Manel Morgado tinha apenas militado em bandas de rock, assumindo a posição de baterista. Os grupos terminaram e apareceu o Ableton Live, sentindo-se “na obrigação de arranjar uma alternativa para fazer música”. Após três anos a aprender e a dominar as técnicas da criação musical no mundo digital, CCC é o primeiro resultado digno de edição. Beats futuristas e texturas espaciais servem de base para este conjunto de nove composições, frutos de um meticuloso trabalho de fusão entre samples e sintetizadores: “Há uma especial atenção ao sound design e um foco grande na progressão e dinâmica do som. O objectivo foi ter um produto final coeso, que fizesse sentido de início ao fim.”

 



Em que momento da tua vida é que a música assume um papel importante? Recordas-te dos primeiros passos?

Desde que me lembro que a música faz parte da minha vida. Cresci numa família de artistas em que a diversidade musical e a drive de compor e tocar esteve sempre presente. O meu despertador de manhã era muitas vezes a minha mãe na sala a ouvir música, ia desde Thievery Corporation, St Germain, Zero 7, Gorillaz e Air a Bach e Beethoven. Cresci rodeado de muito boa música e muito bons músicos. Aos 10 anos recebi a minha primeira bateria e este foi sem dúvida o momento em que se deu o click que me tirou as dúvidas sobre aquilo que eu queria fazer dali para a frente. Toquei em várias bandas de indie, punk, metal até por volta de 2015, que foi quando a maior parte desses projectos acabaram ou ficaram em stand-by. Senti-me rapidamente na obrigação de arranjar uma alternativa para fazer música e abri o Live 9, a DAW em que sempre vi o meu tio a trabalhar. O projecto lunn surgiu uns anos depois e tem sido o meu foco principal ultimamente. O nome é como se o meu fascínio por astrologia e pelo universo tivessem um filho com uma mão-cheia de alcunhas que eu tinha quando era mais puto.

Este álbum é a tua primeira edição de sempre. O que é que te tem inspirado a fazer música? Quem são os artistas que têm servido de referência para o trabalho que andas a desenvolver?

O que me tem inspirado e sempre inspirou, para além da paixão que tenho pela música, é o facto de me surpreender todas as vezes que me sento a produzir. Acontece sempre algo de novo, uma experiência nova, com diferentes aproximações em que o resultado nunca é o mesmo. É um mundo ilimitado que acaba por ser um paraíso para a criatividade e para o feeling que se quer transmitir. Vários artistas de estilos diferentes influenciam o meu trabalho, no entanto alguns mais que outros, nomes como Thriftworks, Tipper, Gramatik, Blap Deli, Bonobo, Shlomo, entre outros, consciente ou inconscientemente, contribuíram muito para o estilo de música que tenho desenvolvido.

Indo ao encontro destas nove composições que compilaste no CCC: começa por explicar-me o título que decidiste dar ao disco. Serve de acrónimo para alguma frase que te tenha marcado?

Não uma frase, foi um momento em que estávamos a discutir ideias em família e a minha mãe começou a fazer um esboço para exemplificar qualquer coisa, não me lembro ao certo, mas era sobre três Cs — Concept, Content, Context. Uma ideia que me marcou na altura, muito pouco tempo depois de ter decidido que queria compor e lançar um EP ou LP, e usei tanto o esboço para o artwork do álbum, como o significado do símbolo para o nome.

Como é que se desenrolou a fase criativa destas músicas? Soa-me mais a trabalho de VSTs do que de samples, estou certo?

Sempre gostei da mistura de synths e de samples, é quase uma maneira standard de trabalhar as minhas faixas. Acho que se pode dizer que é tipo 60/40, sendo que muitos dos VSTs que uso são motores de samples. Há uma especial atenção ao sound design e um foco grande na progressão e na dinâmica do som. O objectivo foi ter um produto final coeso, que fizesse sentido de inicio ao fim. Foi um desafio que fiz a mim próprio, que cada faixa me soasse completa, sem a sensação que falta algo mais. Acho que tudo isto deu fuel à minha criatividade e acabou por ser um exercício interessante, conseguir conjugar tudo num resultado que me agradasse.

O que é que tiveste sempre presente em mente ao desenvolver estas faixas? Dado este ser o teu trabalho de estreia, tiveste alguma preocupação específica com o produto que querias apresentar ao público?

O que tive sempre presente em mente era curtir daquilo que estava a fazer, tudo o resto vem depois. Acho que se estivermos genuinamente felizes com o trabalho que estamos a desenvolver, vamos naturalmente dar mais de nós e o resultado vai ser melhor, tal como a receptividade. Tive, claro, amigos, maioritariamente produtores, com quem partilhei o meu trabalho, que me deram feedback bastante positivo e é sempre um boost fixe de se ter antes de se apresentar publicamente.

O que se segue a partir daqui? Tens planos traçados daqui para a frente, ou algum sonho que queiras concretizar?

Vou, sem dúvida, continuar a fazer música, gigs quando for possível, collabs com outros músicos, tudo o que puxe por mim artisticamente.

 


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