Estraca sobre “Espíritos”: “O Madkutz já tinha quase tudo desenhado na cabeça dele”

[FOTO] Mad Studios

Estraca volta a brilhar num instrumental de Madkutz. A nova faixa, “Espíritos”, recupera memórias de Snake, Raptor, Beto Di Ghetto e Short Size.

Este é o segundo single que o rapper lança após o disco que editou este ano — Estraca foi construído em torno de temas fortes, quase todos com direito a videoclipe, que escalaram as tabelas das principais tendências no YouTube em Portugal, como “Planeta Novo”, “Palavras“, “Suicídio Politico” ou “Perspectiva”. O álbum abriu-lhe portas para os principais palcos de norte a sul do país, carimbando assim um 2018 “mágico”.

No final do ano passado, Estraca e Madkutz “encontraram-se” pela primeira vez quando assinaram “Palavras”.

 



Como é que surgiu a ideia de homenagear estas quatro vozes do hip hop tuga?

O Madkutz já tinha quase tudo desenhado na cabeça dele, desde o tema ao instrumental. Eu gostei bastante e agarrei logo a ideia também. Depois seguiu-se um processo bastante interessante de construção do tema, que demorou cerca de um ano até esta versão final.

É um conceito que se estende ao próprio vídeo, já que são nulas as interferências enquanto nos passam as memórias do Snake, Beto, Raptor e Short Size pelos olhos. Fazia tudo parte do plano? Quase como que “agarrar” os espectadores a um canal televisivo de memórias do rap nacional?

Esta música é quase como um storytelling e, na minha opinião, o mais importante é que as pessoas criem as sua próprias histórias na sua imaginação. Ainda pensámos em fazer um vídeo mais elaborado, lançar apenas o single com uma imagem, mas penso que tomámos a decisão certa. Acima de tudo esta é uma musica daquelas para fechar os olhos, sentir e viajar durante cinco minutos.

A homenagem tem estado cada vez mais presente no nosso movimento. Podemos lembrar o tema que o Valete dedicou ao Sam The Kid ou, mais recentemente, o anúncio do espectáculo d’A História Do Hip-Hop Tuga, uma celebração dos 25 anos com as quatro vertentes da cultura. Para ti, que és de uma “escola” mais recente, sentes que a “matéria” que já se acumula nos nossos livros merece uma maior atenção, tanto por parte do público como dos próprios praticantes desta arte?

Obviamente que sim, é preciso respeitar, conhecer e homenagear, ter noção que isto não começou hoje e que nós estamos a continuar o que outros começaram. Na minha opinião não pode haver futuro sem olhar para o passado.

A própria batida também está envolta num ambiente mais sombrio. Os contornos mais “frios” deste instrumental também foram planeados em estúdio?

O Madkutz mostrou-mo há quase um ano e sugeriu o tema. Foi mágico aquele momento, pois só o instrumental já dizia muita coisa e o tema era perfeito para ali. Existem instrumentais que “falam” e este é um deles.

Por último: vem aí um novo ano e, por norma, a mudança chega com novos projectos. Como é que correu 2018 e quais são os planos para o novo ciclo que se avizinha?

2018 foi um ano mágico. O ano em que lancei o meu primeiro álbum, com concertos no Hard Club e Musicbox. O ano em que atingi um patamar novo: músicas com milhões [de views], novo público, novos desafios, concertos em grandes palcos de norte a sul, como o MEO Sudoeste e o Marés Vivas. Foi um ano de sonho no qual finalmente consegui fazer disto vida. Há um ano estava a vender bifanas no Cais do Sodré e, este ano, passei-o a correr palcos de norte a sul. Penso que isto diz muito do que foi este ano para mim. Espero que o próximo ano ainda seja melhor e, da minha parte, podem contar com mais trabalho e novos projectos.

 


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