Estraca: “A falta de conhecimento é um dos grandes problemas do presente e futuro do movimento hip hop tuga”

[FOTO] Ricardo Constantino

“Palavras” é o novo single de Estraca e MadKutz. No tema com vídeo realizado por Ricardo Constantino, o rapper e o produtor formam uma dupla imbatível que utiliza os versos e instrumentais para combater contra todos aqueles que formatam a sua música para ir de encontro aos standards que a indústria musical estabeleceu.

Com apenas 20 anos, Carlos Guedes Estraca é um dos nomes mais promissores da nova geração do rap português. Se as duas mixtapes e o álbum de estreia, Compilação, já davam excelentes indicações do seu potencial, a verdade é que os singlesGeração“, tema com participação de HipnoD, “Perspectiva” e “Planeta Novo” trouxeram rimas mais afiadas, flows infalíveis e a confirmação que estamos perante um diamante em bruto.

Numa curta entrevista com o Rimas e Batidas, o MC oriundo de Lumiar fala sobre o encontro musical com MadKutz, a falta de respeito que existe actualmente pela história do rap português ou os MCs que continuam a erguer a bandeira do “rap consciente”.

 



Comecemos pelo novo single com o MadKutz. Como é que surge a oportunidade de trabalhares com ele?

Naturalmente, ele descobriu o meu trabalho com um dos meus últimos singles, “Planeta Novo”, deu-me a dica, falámos um pouco e surgiu logo aquela química entre os dois e a vontade de trabalhar. Ele passou-me um instrumental e, em poucas horas, surgiu este trabalho, “Palavras”.

Este tema vai fazer parte de um futuro trabalho?

Sim, vai fazer parte de um álbum, que estará disponível em breve.

És um dos rappers da nova geração com o discurso mais crítico em relação ao próprio hip hop português. Na tua perspectiva, o que é que está errado? 

Para mim, o respeito é algo muito importante e eu sinto que esse respeito pelo actual movimento do hip hop português não existe. Quando tens rappers que dizem fazer parte sem conhecer aquilo que dizem fazer parte… Por exemplo, perguntas a um MC na nova escola, “Quem é o General D?”, e não sabem quem é. Eu pergunto: como é que dizes representar ou querer representar uma “marca” sem conhecer essa mesma? O respeito começa por aí: pelo conhecimento, ir às raízes, saber como tudo começou. Para mim, a falta de conhecimento é um dos grandes problemas do presente e futuro do movimento hip hop tuga. Este é apenas um dos problemas dos tantos que existem no hip hop português – tal como existem em toda a indústria musical. Problemas que sempre existiram e problemas que começam a surgir. Mas este tema tinha de nos levar a uma conversa muito longa, talvez um livro sobre “o que está errado”.

E quem são os novos artistas que, tal como tu, têm feito “rap consciente”?

Não temos muitos e cada vez menos. Sinceramente, nem me recordo de ninguém que o faça actualmente, embora exista muito bom rap a ser feito em Portugal, e cada vez melhor. Por exemplo, o Bispo, HipnoD, Dillaz, Kappa Jotta, que está a mostrar muito trabalho mesmo e, claro, todos os outros pilares como o Valete, Sam [The Kid], Mundo Segundo… Mas dentro dessa temática “rap consciente” e daquilo que eu considero “rap consciente”, não me recordo de ninguém actualmente.

 


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