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Miguel Villa de Brito (DAB FEST): “Era obrigatório encaixar artistas da nova e velha escola”

[FOTO] Direitos Reservados

Um festival de hip hop português em Vila Real de Santo António poderia ser um cenário improvável até há bem pouco tempo, mas vai acontecer já esta semana, nos dias 10 e 11 de Agosto.

Holly Hood e Allen Halloween são os cabeças de cartaz do DAB FEST e dois fiéis representantes do melhor que se faz no trap e no boom bap nacional na actualidade. No entanto, os motivos de interesse não terminam aí. Para jogar “em casa”, Kristóman, Possessivo ou DJ Karussa são os escolhidos pela organização.

Kappa Jotta, ProfJam, DJ Kwan, Kroniko e DJ Big dão ainda mais razões para não faltarem a uma festa que promete marcar uma nova era na região algarvia. O Rimas e Batidas esteve à conversa com Miguel Villa de Brito, o organizador do evento, sobre a concepção do festival:

 



Quando é que decidiram criar o DAB FEST e o que é que vos levou a isso?

A ideia de criar um festival exclusivamente dedicado à cultura hip hop surgiu há algum tempo. O DAB FEST apenas vem colmatar algo que o movimento do hip hop procurava há muito tempo.

“Mais que a História do Hip Hop Tuga” é o slogan do certame. Querem explicar o porquê da escolha deste lema para o DAB FEST? 

Este festival foi concebido para começar em Vila Real de Santo António, o ponto mais sudeste de Portugal. Com o objectivo de enaltecer a cultura do hip hop nas zonas próximas ao festival, tal como juntar o máximo de amantes desta cultura no ambiente desejado, o DAB FEST vem, ainda, dar visibilidade a artistas locais como o Possessivo, o Kristóman ou o DJ Karussa e dar a oportunidade de actuarem ao lado de artistas como o Allen Halloween ou o Holly Hood. O hip hop em Portugal começa em Vila Real e isso sim é mais que história.

Como é que foi o planeamento do line-up? Qual é que foi a vossa principal preocupação enquanto construíam o cartaz?

Sinceramente, a construção do line-up foi a etapa mais fácil. Para um primeiro festival de hip hop, apenas com artistas portugueses, era obrigatório encaixar artistas da nova e velha escola. O planeamento passou por conseguirmos montar um cartaz ecléctico em cada dia, mas puxando mais para o trap no primeiro dia e para o Boom bap no segundo dia. Podemos constatar esse facto pelos headliners: o Holly Hood é, neste momento, uma das caras do trap na tuga e o Halloween… bem, é o Halloween.

Tiveram algum nome que queriam muito que estivesse no cartaz e que não conseguiram?

Não.

 



Convidaram uma série de MCs “quentes” do rap nacional até ao Algarve e alguns talentos da região. Como é que vêem o actual momento do rap algarvio?

Um sério caso de estudo. Praticamente em todos os concelhos do Algarve encontramos um MC de referência e com qualidade. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a Internet não mete um rapper a “bater” de um dia para o outro e esse é, de facto, um dos maiores obstáculos para qualquer rapper algarvio que queira fazer do rap algo mais que um hobby.

Acham que este tipo de evento pode ter um efeito positivo (e até revolucionário) nos rappers do Algarve?

Sim, desde os rappers aos promotores. Com um evento como o DAB FEST, a visibilidade é maior e isso dá motivação a qualquer rapper algarvio de poder ver o seu projecto apresentado num evento com estas dimensões.

O DAB FEST acontece num ano em que o rap nacional invadiu claramente todos os festivais de verão (grandes, médios e pequenos). Acham que vivemos o melhor momento de sempre no hip hop português?

Estando neste momento o hip hop a viver o melhor momento de sempre a nível mundial – no que toca à popularidade -, é clara a aposta das promotoras neste género musical e é isso que faz com que o hip hop português ganhe espaço nos grandes festivais. Não avalio o momento do hip hop português dessa forma. Acredito que estamos a viver o melhor momento de sempre pela qualidade que estamos a apresentar à audiência, desde a produção dos temas à mistura final. Estamos um passo à frente.

 


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