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Fotografia: Carlota Figueras e Alba Ruperez / Sónar
Publicado a: 24/07/2019

A editora lisboeta marcou presença num dos festivais mais relevantes na Europa.

Enchufada no Sónar 2019: 5 nomes que se destacaram em Barcelona

Fotografia: Carlota Figueras e Alba Ruperez / Sónar
Publicado a: 24/07/2019

O ano passado fomos ao Sónar para aproveitar o cartaz incrível da celebração dos 25 anos daquele que é possivelmente o festival mais interessante do mundo, e percebemos logo que tinha começado uma nova tradição. Um ano (e um mês, visto que este ano o Sónar aconteceu em Julho) depois, lá fomos nós novamente, mas desta vez com mais objectivos do que só fazer uma sessão de team building a beber Estrellas mornas e a comer patatas bravas, já que o Brankoia tocar no palco Sónar Village do Sónar by Day (onde os Dengue Dengue Dengue também tocaram no dia anterior e onde infelizmente não pudemos estar presentes). Os motivos de celebração multiplicaram-se. Claro que somos, provavelmente, as pessoas mais suspeitas do mundo para falar disto, mas foi um set do caraças. Situado bem no meio daquela enorme praça central ao ar livre do recinto de dia, o boss levou a Afro-Lisboa a um dos palcos mais fixes e importantes da música electrónica, o público entregou-se e até os catalães arranhavam um portunhol quando caíam sons do novo álbum como a “Sempre” ou arriscavam passos de dança com aqueles beats pesados do PEDRO. Ficámos todos de barriga cheia e, cumprida a missão, dedicámo-nos ao ócio o resto dos dias e preparámos um pequeno texto com um apanhado das nossas cinco actuações favoritas do Sónar deste ano. Siga!


[SHO MADJOZI]

A MC sul-africana Sho Madjozi já era um dos nomes que mais nos chamava este ano e não desiludiu. Infelizmente, o dia parecia ter menos gente do que o normal em anos anteriores. Olhando para as áreas do recinto e palcos do Sónar by Night fez falta mais gente à frente da Sho. Mas não foi por isso que se reduziu o impacto da explosão de beats gqom com rimas, danças e fatos coloridos que representam a sua herança Tsonga e que fazem dela uma das vozes actuais mais importantes da electrónica — e possivelmente já da pop também — global. Fica a vontade de a ver com mais público que faça verdadeiramente a festa. Ela merece-o e, já agora, nós também.


[BAD GYAL]

Impossível não referir a catalã do momento. Depois da ascensão de Rosalía ao topo da cena musical espanhola via Sónar no ano passado, agora é a vez da Bad Gyal subir ao palco com o seu soundsystem para montar uma festa ao som de batidas dembow e dancehall e ocupar assim o lugar que já lhe era prometido no cimo da cadeia alimentar. O público reagia a cada hit, o grupo de bailarinas dava tudo e ainda houve espaço para o DJ brilhar com um mini-set de reggaeton que transformou o Sónar numa block party em Porto Rico durante uns minutos, tudo sob o olhar blasé de Bad Gyal enquanto dava bafos numa blunt. Está confirmado: a cidade também já é sua.


[MURLO]

Há já algum tempo que o Murlo mostra que é mais do que um produtor e decidiu levar o seu espectáculo audiovisual para o Sónar. Aqui o objectivo era claramente afastar-se dos formatos standard de apresentar música electrónica e a cabine é posta a um canto do palco, dando todo o destaque ao ecrã onde vemos cenas fantásticas e futuristas, ilustradas e animadas pelo próprio, que também compõe todas as peças musicais. À frente do palco tinha uma rede, onde se projectavam mais animações que pareciam pairar no ar, dando assim um efeito tridimensional que colocou a parte visual do espectáculo em ainda maior destaque.

Infelizmente, a música parece ter ficado em segundo plano, perdendo a dimensão club das produções do Murlo, que começa e termina as peças musicais sem tentar sequer a aproximação ao formato DJ set mais convencional. Nada de errado, mas esperávamos algo que nos enchesse mais as medidas enquanto espectadores e bailarinos, principalmente quando o espectáculo audiovisual do ano passado de Zora Jones & Sinjin Hawke ainda está tão presente nas nossas memórias. Sabemos que é uma comparação injusta, mas ficou a vontade de fazê-la…


[OCTAVIAN]

A grande promessa do rap inglês ou apenas mais um puto que fuma demasiada erva? Não temos a resposta certa a esta pergunta, mas que tem energia lá isso tem. Passou um pouco por toda a discografia mas os temas que mais brilharam foram claramente os mais antigos, especialmente “Hands” ou a colaboração com Mura Masa, “Move Me”, que inicialmente definiram a identidade de Octavian antes deste adoptar o template do trap como base para grande parte das suas rimas.


[NICOLA CRUZ]

Quando a sala está demasiado cheia para entrar normalmente é bom sinal e foi mesmo isso que aconteceu. Nicola Cruz, um dos autores de uma das melhores discografias da América Latina dos últimos anos, foi recebido num Sónar Hall a abarrotar. Nós, como não somos adeptos do formato sardinha em lata, ficámos só à porta da sala a ouvir a música e a ver ao longe (em pequenino) a viagem visual que acompanha o concerto do produtor chileno que provou mais uma vez que é sempre aposta segura.

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