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Capicua: “É um concerto importante porque é a primeira vez que vou tocar em formato banda”

[ENTREVISTA] Amorim Abiassi Ferreira [FOTO] Miguel Refresco / curva contra curva

 

Capicua está prestes a estrear-se no grande auditório do CCB num concerto que, claramente, a entusiasma e deixa, ao mesmo tempo, nervosa. Ela está responsável pela última actuação do ano do CCBeat, dia 2 de Dezembro, cuja temporada de 2016 foi inaugurada pelos Orelha Negra, os únicos a actuar na mesma sala. Os bilhetes já se encontram disponíveis e vão dos 5 aos 15 euros.

O Rimas e Batidas conversou com a rapper que já pisou palcos por todo o país e reúne um dos públicos mais transversais de uma artista de hip hop, para perceber o que torna este concerto num momento tão importante da sua carreira.

 


Qual é a tua forma habitual de dar um concerto?

Toco para público onde algumas pessoas são do hip hop, mas também para público muito diverso, outras tribos urbanas, pessoas mais velhas. Normalmente faço questão de levar o formato clássico para conhecerem. Também para se quebrar uma certa desconfiança que às vezes, as pessoas que não conhecem bem o formato, têm em relação ao concerto de hip hop, só com o DJ e um gajo a disparar botões e onde não se percebe bem de onde vem a música.

O que tem de diferente este concerto?

É um concerto importante porque é a primeira vez que vou tocar em formato banda, com instrumentos. Não vou tocar um disco em particular, mas vou dar um concerto que vai buscar músicas da primeira mixtape até hoje. Gostava de convidar o pessoal do hip hop que costuma seguir os meus concertos normais, porque de facto isto para mim é uma primeira vez. Apesar de já ter feito algumas colaborações com os They’re Heading West ou com o Mistah Isaac — gravei umas cenas acústicas — ou a minha participação no concerto de Sérgio Godinho em que tocaram uma ou outra música minha, é a primeira vez que vou tocar mesmo totalmente live.

Que abordagem tomaste na adaptação das músicas?

Não queria desvirtuar a raiz e decidimos manter o sample como base e em algumas músicas até temos uma base electrónica que foi sendo descascada conforme fomos substituindo algumas pistas por instrumentos tocados em tempo real. O processo tem sido esse: descobrir o que vamos substituir, o que vamos manter, o que vamos acrescentar sem perder o feeling, a identidade. Às vezes é difícil porque tens muitos músicos e queres fazer muita coisa, ficas entusiasmado com a energia do ensaio e apetece-te levantar voo, mas para mim também é muito importante respeitar a identidade de cada instrumental, por respeito à matéria prima que me fez escrever aquela música e depois também para honrar o produtor que a criou e com quem colaborei.

 



O que é que gostarias que as pessoas sentissem ao ver esta actuação?

Gostava que as pessoas se divertissem, que fossem lá e vissem um bom concerto, acima de tudo porque é sempre esse o objectivo maior. Mas gostava também que fizessem comigo a retrospectiva de todos estes temas que vêm da primeira mixtape, do primeiro disco, da segunda mixtape, do Sereia Louca, do Medusa. Toda esta mistura em que eu acabei por escolher as músicas que melhor resistiram ao tempo e com as quais me continuo a identificar até hoje, quase como quem fecha um ciclo antes de começar um disco novo. Queria também celebrar estes anos de tanto trabalho e tanto carinho por parte das pessoas.

Achas que esse processo de selecção te fez chegar a conclusões que vão ajudar-te a escrever o próximo disco?

Olha isso não sei. Podia ter sido muito doloroso, podia ter olhado para trás e dito: “Só mesmo aquelas que tenho tocado é que valem pena”, mas não, por acaso até gostei de fazer esse processo e foi engraçado porque também o fiz com os músicos. Fiz uma lista das músicas que me faria sentido tocar, uma lista bastante alargada. Depois os próprios músicos é que foram votando nas que mais gostaram. Por um lado eu fiz esse exame, e depois percebi, naquele grupo de 5 pessoas, quais eram as músicas que tinham mais consenso. Foi um exercício revelador, quase como um focus group [risos].

Quem são os músicos que te acompanham nesta aventura?

Tenho o Virtus nos samples, nos pratos tenho o D-One, que me acompanha sempre, o Ricardo Coelho na bateria, o Luís Montenegro no baixo, na guitarra e nos sintetizadores e o Sérgio Alves nos teclados.

Tens planeado quando queres recomeçar a escrever?

A prioridade é tocar agora no CCB. Depois, vou preparar os concertos apresentação do Mão Verde (o livro-disco infantil lançado este ano) lá para princípio de Fevereiro. A partir daí, quando a coisa começar em velocidade cruzeiro com a Primavera, concertos e tal, até ao Verão, começo a ter mais disponibilidade para isso. E por disponibilidade não falo só de tempo, também é possibilidade de perder a noção do tempo, estar por mim, entregue à minha bolha criativa.

 


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