DWARF: “Gostava de fazer, pelo menos, um instrumental para o Regula”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] João Tamura

Criar música, fazer upload no SoundCloud e esperar pelo feedback dos internautas. O dia-a-dia dos produtores tornou-se mais dinâmico desde a chegada da Internet e plataformas de partilha são hoje espaços criativos que criam dezenas, quiçá centenas, de carreiras. DWARF, produtor português, é mais um desses casos e 2016 foi o seu ano de afirmação.

Descreve-se como um “um gajo normal” que “gosta de música, mulheres, comida e videojogos”, mas a música que produz é densa e labiríntica: ouça-se os EPs Frails, Camo e This is Rap Music para se concluir o contrário. E se Mike El Nite precisou de um parceiro para salvar o rap nacional e dar-lhe uma vida totalmente diferente, DWARF mostrou estar à altura do desafio, assumindo também o papel de DJ nos concertos do Justiceiro.

Apesar de estar a produzir para rap, o produtor não foi atrás das referências clássicas como DJ Premier ou Pete Rock: “Comecei a brincar aos computadores e às máquinas no inicio de 2012. Após ter ouvido o álbum Held, do Holy Other, decidi criar um projecto (DWARF) e lançar um EP (Frails). Na altura, eu andava a ouvir o Catalogo da Tri-Angle, Friends of Friends, WeDidIt, por aí…”

O processo de trabalho para O Justiceiro aconteceu de forma bastante orgânica, segundo DWARF: “Conheci-o numa noite de verão de 2014. Não me recordo ao certo como foi a nossa primeira interacção. Sei que uns meses mais tarde decidimos marcar um café e, basicamente, disse-lhe que, se ele precisasse de um produtor para um EP ou LP, eu estaria disposto a colaborar. Daí para a frente as coisas aconteceram de uma forma super natural.”

“Eu já trabalho praticamente com todos os meus ‘favoritos’. No entanto, gostava de fazer, pelo menos, um instrumental para o Regula“, revelou em conversa com o Rimas e Batidas. O rapper do Catujal está num pólo oposto a Mike El Nite, por exemplo, mas DWARF já mostrou capacidade para criar bangers daquela estirpe que Don Gula tanto aprecia.

 


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Sem poder adiantar muito sobre o futuro, DWARF revelou que “2017 será o ano”. Para já, fica muito grato por poder tocar numa sala onde já passaram muitos dos seus artistas preferidos. Não esqueçam: 22 de Dezembro é dia de rumar ao Lux Frágil onde DWARF se apresenta como convidado em mais uma noite cheia de C.R.E.A.M..