Drake remistura “Ela É do Tipo” de Kevin O Chris

[TEXTO] Núria R. Pinto [FOTO] Theo Skudra

Depois de no início do ano ter mostrado uma remistura de “Girls Need Love”, tema original da norte-americana Summer Walker, Drake desceu até ao Sul do continente para aquecer com os 150 BPMs do funk carioca de Kevin O Chris, dando o seu twist na versão de “Ela é Do Tipo”. 

Lançada em Março, a faixa do brasileiro de 21 anos atingiu os 80 milhões de plays no Spotify e um lugar no top 10 global, e serviu até de banda sonora para uma campanha do YouTube no Brasil, depois de ter sido a mais escutada na plataforma. Não há dúvida de que o alcance do funk, sendo Kevin O Chris um dos seus principais representantes actuais, atinge hoje níveis estratosféricos — veja-se o sucesso de plataformas como a Kondzilla –, mas, desta vez, foi pelas mãos da “mãe”, quem outra senão Anitta, que a canção chegou aos ouvidos de Drake. 



O resultado é uma óbvia, embora nada decepcionante, música em que o funk se mistura com o r&b característico do canadiano mais famoso do globo, para a qual criou um verso onde se lamenta por uma paixão não-correspondida. Se a temática é típica do rapper, surpreendente é ouvi-lo o cantar em português no refrão de “Ela é Do Tipo”. Drake fecha o seu verso com um refrão que poderia ser quase um standard do funk carioca e é impossível não achar graça ou ficar indiferente ao ouvir “Vai, rebola pro pai, novinha vai” na voz do autor de Nothing Was The Same. Inequívoca vitória para o funk carioca, num momento em que o preconceito e a repressão em relação ao género e aos seus representantes no país se faz sentir mais do que nunca, a remistura de “Ela é Do Tipo” marca, certamente, uma nova página para a sonoridade a nível global. 

Em Julho, o jovem MC aproximava-se da música portuguesa, adaptando parte de um verso de “Devia Ir”, tema dos Wet Bed Gang, para a sua participação em mais uma sessão no formato Poesia Acústica


Núria Rito Pinto

Núria Rito Pinto

Hip hop, r&b e brasilidades com tanta moderação quanto vontade. Fundou o clube de fãs da “Corda” do Boss AC, já comprou CDs pela capa e preferia comer douradinhos frios todos os dias do que ficar sem Spotify.
Núria Rito Pinto