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Texto: ReB Team
Fotografia: Glauco Neves

Um profundo mergulho nos ritmos africanos.

Dr. Drumah: “O hip hop como linguagem musical permite-nos criar misturas mágicas”

Texto: ReB Team
Fotografia: Glauco Neves

The Confinement Vol. 01: Africa é a primeira beat tape resultante do isolamento social de Dr. Drumah. O projecto conta com 10 temas, participações de Mista Monk e Stina Sia, masterização de Felipe Pomar e uma capa assinada por Frederico Amazonas.

Afrobeat, afrofunk, highlife ou ethio jazz não são linguagens musicais novas para Dr. Drumah. Baterista dos IFÁ, banda de fusão de Salvador, Brasil, Jorge Dubman tem estudado com atenção todos os detalhes da herança musical africana, reformulando as lições absorvidas dentro do contexto da cultura baiana.

No projecto Dr. Drumah, o músico opera maioritariamente a solo e recorre à estética do hip hop para dar um novo rumo às suas principais influências, processo que nos últimos sete anos, desde que fundou a sua página no Bandcamp, já gerou mais de uma dezena de trabalhos, entre singles, EPs e LPs.

Editado no passado dia 6 de Maio, The Confinement Vol. 01: Africa inaugura uma série de lançamentos pautados por “atmosferas diferentes, mas com uma base focada nas batidas do hip hop”. Nesta beat tape, que contou com contribuições de Mista Monk (MC dos australianos Black Jesus Experience) e Stina Sia, Dr. Drumah promove uma sonoridade equilibrada entre ancestralidade e futurismo, levando-nos numa viagem que tem como pano de fundo países como Nigéria, Benin, Etiópia, Burkina Faso e Gana.



Apresentas a tua nova beat tape como resultado de uma espécie de estudo que fizeste em torno das sonoridades africanas, o “berço” de quase tudo aquilo que hoje consumimos, musicalmente falando. Esse lado “didáctico” esteve sempre presente quando te comprometeste a fechar o projecto?

Sim. Eu venho pesquisando afrobeat, afrofunk, highlife e ethio jazz há algum tempo. Além de beatmaker sou baterista e um dos fundador de uma banda de afrobeat no Brasil, a IFÁ, então quem acompanha o meu trabalho esperava um álbum como esse, onde eu fizesse a junção das pesquisas que desenvolvo e mostrasse algo diferente. O hip hop como linguagem musical nos permite criar essas misturas mágicas. Iniciei a pesquisa com samples de música africana e suas claves rítmicas para tentar aplicar as batidas do hip hop e fazer essa mistura. Alguns ritmos africanos não se enquadram em padrões, como o 4/4 do rap, são mais polirrítmicos, por isso mergulhei neste estudo, para tentar manter algo que envolvesse os dois géneros de forma mais equilibrada possível.

De que forma é que trabalhaste estes samples? Que tipo de softwares ou máquinas utilizaste durante o processo de composição?

Foi um processo versátil. Algumas músicas eu gravei bateria e fiz replace, outras eu sampleava o disco para a MPC e fazia os chops para escolher os melhores loops e cortes e experimentar possíveis combinações de samples. Mas basicamente produzi tudo no software FL Studio. Mesmo o que foi analógico, acabei jogando para o programa e lá mixei e fiz as edições. No final desse processo de mixagem, passei os sons pela SP-303 pra dá aquela sujeirinha e granulação.

Contaste com a voz do Mista Monk em dois dos temas. Como é que surgiu esta colaboração com o rapper do colectivo Black Jesus Experience?

A ideia inicial é que fosse um álbum todo instrumental. Certo dia postei uma música da Black Jesus Experience no Facebook e um amigo, o Wallace, MC do extinto grupo Fluxo do Rio de Janeiro e que actualmente mora em Melbourne, Austrália, comentou que conhecia os integrantes e marcou o Lian (Mista Monk). Na mesma hora o Monk me escreveu e ficámos um tempo conversando e foi aí que eu falei do álbum pra ele. Ele pediu para escutar e eu enviei as tracks para ele e disse que caso gostasse de algum dos beats o convidaria a participar do trabalho. No outro dia ele me enviou um e-mail dizendo que gostaria de escrever em dois beatse em menos de um mês entregou as gravações. Assim surgiu a parceria. Tive o prazer de fazer a remix do novo single dele “How We Living” que conta com as participações dos MCs Naked eYe e o Elf Tranzporter.

Apresentaste o projecto como o primeiro volume de uma série apelidada de The Confinement. Já tens planos para mais beat tapes produzidas dentro deste cenário de isolamento social?

Sim. A ideia é que cada volume seja uma viagem musical e com atmosferas diferentes, mas com uma base focada nas batidas do hip hop. Estou produzindo simultaneamente mais dois álbuns, que pretendo liberar até o final do ano.


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