Domínio do Delírio: mais liberdade e atenção ao pormenor no novo EP de Fonseca & Cripta

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Fonseca e Cripta voltaram a formar dupla em Domínio do Delírio. O EP tem quatro temas e apenas o nome de Tony Bounce surge no capítulo das colaborações.

No final de 2016, a dupla da Marinha Grande dava os primeiros passos em conjunto com o curta-duração A Um Traço da Loucura, que assinalou o primeiro trabalho de originais para ambos os artistas. Cripta estava completamente focado na produção do disco e apenas somou um verso no tema que ofereceu o título ao projecto — em Domínio do Delírio tem até direito a uma faixa só para si. A Um Traço da Loucura marcou também uma mudança de paradigma para Fonseca, que aproveitou a boleia do produtor para começar a testar a sua voz em terrenos mais sombrios e digitais, ele que vinha de uma mixtape enquadrada num registo boom bap. “A partir desse EP comecei a experimentar uma sonoridade mais virada para o trap, que até a altura pouco me tinha interessado”, contou ao ReB. “Consegui encontrar artistas dentro dessa sonoridade que me cativaram e talvez me tenham influenciado.”

 



Quando questionado acerca das diferenças entre ambos os trabalhos, Fonseca aponta para “a mensagem e a vibe” presentes em cada um desses registos. “Em A Um Traço da Loucura abordo um lado introspectivo, obscuro, e no Domínio do Delírio quis fazer o contrário. Apareço mais confiante nas decisões, no encontrar o caminho. Daí o título do EP. E, sem dúvida, que neste EP tivemos mais em conta os pormenores”. No lado da produção, Cripta explicou-nos que gozou de maior liberdade no primeiro esforço conjunto — “Andei a experimentar outras coisas” — tendo em Domínio do Delírio alterado o seu foco de modo a melhor servir o MC que o acompanhou: “São produções que considero ‘normais’. Acho que foi mais um auxílio ao Fonseca e não tanto uma expressão minha.”

O segundo trabalho entre os dois artistas começou a ser antecipado em Julho, quando Fonseca fez o upload do videoclipe para “Punho Cerrado” no seu canal no YouTube. Com a edição do EP, foi a vez de “Sinais” ver a luz do dia no mesmo formato. E ambas as peças têm algo em comum: é Cripta quem assume a realização dos vídeos, continuando a demonstrar a versatilidade artística que lhe tem vindo a ser característica. “Sempre curti de vídeo e fotografia e nunca gostei de depender de outras pessoas. Sei que consigo fazer o que me apetecer e que basta eu querer. Basicamente, gosto de mexer, perceber e fazer tudo o que envolve ser criativo. Sinto que preciso de saber fazer tudo. Sinto que preciso de aprender bué cenas novas todos os dias e é um bocado por aí que surgiu esta minha faceta dos videoclipes.”

 


Fonseca e Cripta unem esforços em “Punho Cerrado”

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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