DJ Damage: um dançarino desastrado no Plano B do Porto

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

Com os Jazz Liberatorz, Damage editou dois importantes álbuns, com o hip hop a cruzar-se com jazz e com a Europa a misturar-se com os States: Clin d’Oeil de 2008 e Fruit of The Past, do ano seguinte, misturaram beats carregados de poeira vinílica com os experimentados flows de MCs como Fat Lip, J Sands, T Love, Sadat X, Declaime, Wildchild ou Mos Def.

Os Jazz Liberatorz ainda não editaram esta década, mas Damage, como Mr. Bop, tem prosseguido carreira, editado beats e feito apresentações como DJ um pouco por toda a Europa. Vem agora ao Plano B, Porto, no dia 6, para um DJ set que promete estar recheado de homenagens – A Tribe Called Quest – por exemplo e pérolas boom bap da Golden Age. Abaixo, algumas pistas para uma noite que se adivinha memorável.


[EU SOU O…] “DJ Damage aka Mr Bop, conhecido pela minha forte ligação ao movimento hip hop, mas a minha cultura musical é muito mais vasta. Na verdade, tenho um universo musical na minha cabeça que não se rala com BPMs. Sou um dançarino ecléctico e desastrado (risos).”

 

[OS CINCO DISCOS QUE NUNCA DEIXAM A MINHA MALA SÃO…]  “Future Rage de DKD, Housequake de Prince, Doggybag de Capital Steez, Good Lover de D’Influence e Black Mahogani de Mooddymann.”

 

[QUANDO PENSO NOS JAZZ LIBERATORZ ONTEM E HOJE RECONHEÇO QUE…] “Erros foram cometidos durante o progresso do primeiro opus. Erros, esses, que nos serviram para a elaboração do segundo álbum, Fruits of the Past, como uma compilação.”

 

 

[SER UMA INFLUÊNCIA PARA OUTROS ARTISTAS…] “Deixa-me sempre feliz saber que as nossas obras influenciaram outros, é necessário saber que ambos os álbuns foram feitos durante um período de cinco anos de acordo com as agendas dos artistas com quem queríamos trabalhar. Não é muito difícil trabalhar com artistas [do underground norte-americano] dessa qualidade, porque eles são profissionais, muitos deles pessoas humildes e honradas.”

 

[AS EDITORAS JAZZ QUE ME MARCARAM FORAM…] “Várias as que podíamos prestar tributo e é necessário saber que eu primeiro quis desviar o logo do CTI, mas os P.U.T.S. já o tinham feito.”

 

[NA CENA HIP HOP UNDERGROUND EM FRANÇA…] “Temos montes de talentos : Kalhex, Rocé, 1995, Orelsan e Gringe ou J-Zen, que colaborou com alguns MCs americanos.”

 

[CINCO PRODUTORES QUE ME INFLUENCIARAM FORAM…] “Easy Mo’ Bee, Todd Terry, Jay Dee, Pete Rock e DJ Spinna.”

 


 

 


[QUANDO REMISTUREI OS A TRIBE CALLED QUEST EM SWEET SHORT MIX…] “Queria prestar homenagem aos quatro primeiros álbuns do colectivo, mas fiquei bloqueado no primeiro disco, People’s Instinctive Travels and The Paths of Rhythm. Entretanto, já comecei a remix do disco todo.”

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu