Dino D’Santiago, Filipe Sambado e Jimmy P no centro da contínua reinvenção pop do Festival da Canção

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTOS] Pedro Pina/RTP

A um mês do Festival da Canção 2020, a RTP desvendou os temas em jogo. Jimmy P, Throes + The Shine ou Filipe Sambado interpretam as suas próprias composições, enquanto Kady e Elisa surgem a respectivo convite de Dino D’Santiago e Marta Carvalho. O Rimas e Batidas esteve na conferência de imprensa desta quarta-feira e falou com várias das vozes a concurso.

A edição de 2020 continua a reinvenção “pop”‌ do certame, onde coexistem referências da música nacional (António Avelar Pinho, Rui Pregal da Cunha) e pontas-de-lança na pop contemporânea. Exemplo da segunda vertente é o autor de Mundu Nôbu, que marcou presença no evento da RTP a dois dias de um concerto esgotado no The Jazz Café.

“Diz Só”‌ é a sua contribuição para o Festival, com um instrumental trabalhado por PEDRO, Branko, Seiji e Nosa Apollo. A canção foi escrita por Kalaf Epalanga como uma ode à kizomba, podendo “transportar finalmente para um palco como o do Festival da Canção uma clave que é só nossa, não é de mais ninguém”‌. Nas letras, homenageia-se a “mulher activista”, com referências a Cesária Évora ou Marielle Franco, pelo que exigiu “uma interpretação feminina”, conta Dino ao ReB.



A escolha recaiu sobre a cabo-verdiana Kady, que regressa após o seu álbum de estreia Kaminho, editado em 2016. “Entretanto fui mãe, fiquei um bocadinho parada”, esclarece Kady, com quem Dino participou em dois dos concertos de Madonna no Coliseu dos Recreios. “Acho que vai ser uma grande experiência e uma mostra, e espero defender [o tema] da melhor forma”‌ — e tem o apoio dos pais de Dino.

Marta Carvalho, João Cabrita, Rui Pregal da Cunha, Tiago Nacarato, António Avelar Pinho e Hélio Morais e Pedro Jóia também seleccionaram os seus intérpretes.

Os restantes compositores encarregaram-se de defender os temas nas próprias vozes. É o caso de Jimmy P, rapper que edita o álbum Abensonhado a 31 de Janeiro e traz ao certame a faixa-título. “Não queria estar a criar uma música propositadamente e achei que este tema era aquele que representava melhor o que eu poderia vir aqui fazer”, comenta. Para além de “canções tradicionais”, a proposta de Jimmy P vai ao encontro de um festival “mais urbano”, onde é o único rapper.



“Muitos dos temas estão em formato-canção clássico: um A, um B, um refrão… Trouxe aqui uma cena que é completamente diferente do que todos os outros vão fazer”. A estreia ao vivo da canção ocorre a 22 de Fevereiro, no Coliseu Porto AGEAS, na celebração de 10 anos de carreira do artista.

Os Throes + The Shine aproveitam o Festival da Canção como um intervalo na vida de estrada. “Vai ser um início de ano diferente, mais calmo”, comenta Igor Domingues, enquanto o colega Marco Castro fala de “Movimento”, a sua canção concorrente, como um prolongamento da direcção seguida pelo último álbum, Enza.

Também para Elisa Rodrigues, cantora associada ao jazz, o certame serve de disrupção. O convite “foi uma surpresa; eu não penso muito em mim como compositora. Apesar de eu escrever, escrevo para ter material para cantar”, diz. “Mas a verdade é que componho, portanto, ‘bora lá”. O desafio foi superado com “um tema “alegre”, imbuído da “boa disposição” de uma gravidez avançada. “Normalmente pendo para os temas muito tristes, e [esta] é uma canção alegre, um beat um bocadinho afro.”



Depois de uma “Jóia da Rotina” que cruza o folclore com a pop, o cantautor Filipe Sambado não muda de faixa para “Gerebera Amarela do Sul”. “Apeteceu-me abordar a própria temática daquilo que é o concurso, das opiniões que as pessoas possam ter sobre as canções todas”, revela. “Sou eu a falar directamente para quem acompanha o festival.”

2020 é o quarto ano de um Festival da Canção reinventado com uma “visão pop”. Após duas semifinais a 22 e 29 de Fevereiro, a final do certame ocorre na cidade de Elvas a 7 de Março. A escolha geográfica retoma o “compromisso da RTP com o país inteiro”, conforme dito por Gonçalo Reis, presidente da administração da radiodifusão pública.

José Fragoso, director de informação e programação da RTP, anuncia o festival como “uma das maiores apostas do ano” na grelha do primeiro canal, uma que convoca Filomena Cautela, Jorge Palmeirim, Tânia Ribas de Oliveira, Jorge Gabriel, José Carlos Malato e Sónia Araújo para as lides de apresentação.