Dehesa estreia-se em longa duração com Uma Casa No Limbo

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Pedro Silva

 

Uma Casa no Limbo é o título do álbum de estreia do rapper português Dehesa, trabalho recentemente lançado depois de quatro laboriosos anos a desenhar o registo.

Foi em 2011 que Dehesa iniciou o processo de escrita e de ajustamento dos primeiros instrumentais do disco. Processo que se estendeu até 2014, com a procura do som e da rima perfeita, em parte devido à falta de tempo de Ruas (ex-Yellow W Van), irmão do rapper, que desempenhou um papel importante neste álbum. A sua presença é constatável em beats, versos e também em toda a mistura do álbum.

Em conversa com o Rimas e Batidas, Dehesa revelou que gravou o primeiro tema aos 13/14 anos com uma câmara de filmar que utilizava para captar o áudio. Aos 16/17 criou, juntamente com os primos, o Projecto Pirata, que tem no portfolio temas lançados no já esquecido Myspace e vários pequenos concertos. “Sempre que o meu irmão não usava um beat que produzia, nós ficávamos com ele”, contou. No currículo consta também actuações de backvocals com MC Sensi e partilhas de palco com Molécula. Em 2009 lançou a mixtape Peet da Street 001, até que chegou o momento em que decidiu empenhar esforços num álbum com um conceito mais concreto.

Nos instrumentais de Uma Casa no Limbo figuram AMP (DJ de Sensi) e DJ Koo, além de Ruas. Já nas rimas e cuts, assinala-se as presenças de DJ Roosta, BeatBeast, Tomé Freitas, Tiago “Fruntxelli” Ferreira e Pedro Schvetz. Sobre o título escolhido disse-nos que é “uma metáfora desta ‘vida'”. “Existe uma densa camada de nevoeiro à nossa volta que não nos permite saber a verdade. Vivemos curvados quando nos dizem que somos livres. Portugal é um limbo. Outro limbo é a nossa cabeça e a nossa vida. Somos contra o consumismo, mas se for preciso comemos McDonalds, sem nos interrogarmos; no Facebook todos temos vidas invejáveis e somos bons samaritanos, creio que não é preciso dizer mais nada… E contra mim falo.”

Mencionou também a inspiração que obtém das mais diversas vertentes artísticas. De Pessoa a Kafka, Bergman a Kubrick, Nerve a B Fachada. “Tudo o que vejo, leio ou oiço pode servir de inspiração. Às vezes é inconsciente”.

Na calha está a apresentação do álbum, dia 20 de Novembro, no Stairway Club, em Cascais, seguindo um vídeo para breve. A possibilidade de trabalhar num novo projecto também está em cima da mesa. “E estou já com ideias de fazer o próximo disco. Nunca paro de escrever e como sou muito exigente comigo próprio, quero fazer um trabalho muito melhor do que este”.

Uma Casa no Limbo está disponível para download gratuito aqui.

 

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira