DarkSunnDays Vol. 1


 

[FOTO] Ricardo Miguel Vieira [ARTWORK] João Guapo/Dialogue.pt

 

DarkSunn é membro do colectivo Monster Jinx e enquanto tal tem assinado diversas produções e remixes que revelam um olhar atento sobre os novos caminhos que o hip hop e a electrónica que lhe é mais próxima têm desenvolvido nos últimos anos.

Esse olhar teve uma tradução concreta e recente em Melange, EP onde DarkSunn desenhou um mapa dos terrenos por onde a sua cabeça tem deambulado. E DarkSunnDays, os podcasts que realiza com regularidade mensal, são as suas expedições de procura de estímulos, de inspirações, de desafios.

26 meses depois do arranque destas expedições, eis que as emissões DarkSunnDays descobrem nova casa e aterram, qual nave espacial, no topo do arranha-céus onde funciona o Rimas e Batidas.



[“HI! MY NAME IS…”]

“O meu nome é DarkSunn, sou DJ e produtor da zona de Almada e faço parte do colectivo Monster Jinx. O colectivo era conhecido por ser do Porto, mas neste momento já podemos considerar-nos um colectivo nacional. Estamos presentes desde o Algarve até Bragança, portanto, estamos bem alargados. O meu estilo, essencialmente, é hip hop e electrónica, um híbrido entre os dois.”

[MONSTER JINX WORLD DOMINATION]

“Foi um conjunto de quatro-cinco pessoas, todas amigas, todas dentro do hip hop considerado mais alternativo, que realmente quiseram fundar algo que nos desse uma boa sustentação. Temos um sítio para criar o que desejávamos criar. E a partir daí fomos espalhando um pouco por todo o país. É world domination sem dúvida nenhuma. Começamos como um polvo e estamos a espalhar os tentáculos pelo mundo inteiro.”

[MELANGE EP]

“O Melange foi a minha resposta a um hiato de cerca de quatro anos. Eu não produzia nada em nome individual desde 2011 e foi um pouco uma viragem à esquerda do que eu estava mais habituado a fazer. Eu andei esses anos também à procura de um som novo, um som diferente para mim, tentar também progredir um pouco o que estava a fazer. Não necessariamente evoluir, mas alterar a forma como eu produzia, até mesmo tecnicamente. Uma coisa interessante sobre este projecto: 90% feito fora de Portugal, foi feito em viagem. Então com o mínimo de equipamento possível, tentei recriar um pouco as influências que ia recebendo. Toda a temática do Melange ou da especiaria do Dune apareceu um pouco depois, há medida que as faixas foram ganhando rumo. Mas eu andava muito obcecado com essa parte mitológica do Dune durante o tempo que andei fora e pronto, fazia-me um pouco sentido também que isso fosse por aí. A nível de som continua a ser hip hop. Tudo o que faço hoje, que fiz e que provavelmente farei no futuro é hip hop na minha cabeça. Pode não soar já tanto a hip hop, mas continua a ser hip hop, pelo menos a minha abordagem é uma aborgadem tradicional de hip hop music ou dos instrumentais que sempre fiz. Há uma componente electrónica muito mais forte, uma viagem também para outros BPMs, experiências no mundo dos sintetizadores.”

[MENOS SAMPLES, MAIS ELECTRÓNICA]

A minha abordagem, e a abordagem que me sinto confortável na verdade, e que acho que vou fazer sempre, é uma abordagem sample based, mesmo quando toco. Foi uma necessidade da minha cabeça experimentar fazer algo, tocar algo, em vez de ser samplar algo já tocado. O meu instrumento favorito será eternamente o sampler, na minha cabeça não há maneira de não ser o sampler. A partir daí, experimentei mais a parte dos synths.”

[SKATE OST]

“Há pouco tempo tive o prazer de fazer uma coisa pela primeira vez: a banda sonora para um vídeo de skate para a revista Surge. Foi uma coisa diferente para mim, em vez de ‘está aqui o vídeo de skate e toma um som e mete o som lá’, eles deram-me o vídeo e este foi editado já com a base no metrónomo que eu forneci, com um determinado BPM, criei o som todo em cima do vídeo. Foi uma experiência mesmo muito gratificante e, secretamente, a parte das OSTs é assim um pequeno mundinho que gostaria de explorar.”


 


[FUTURO]

“Estou a voltar a pegar nas remisturas e quero começar a explorar um bocadinho mais as colaborações, que foi sempre uma coisa que foi muito difícil para mim. Eu consigo trabalhar à distância, mas na mesma sala sempre foi muito complicado para mim, porque, para mim, a ideia da produção é desligar-me um bocado, é aquele zone-out. O EP também está muito fresco ainda, agora não tenho ideias concretas, mas [lançar] faixas soltas, continuar activo e agora que já descobri o filão onde me quero focar, é explorar esse filão para depois partir para um próximo filão e assim sucessivamente.”

[DARKSUNNDAYS]

“O DarkSunnDays começou há 26 meses, ou seja, já fez os seus dois aninhos, já é uma criancinha. A ideia do formato é de um podcast de uma hora gravado como um DJ set. Tento que seja [gravado] ao primeiro take, se ouvires os podcast anteriores, há misturas que não estão assim tão bem feitas, há coisas que podiam ter sido feitas de outra maneira, faixas que não entraram assim tão bem. Isso também faz parte da beleza de se fazer uma coisa live. A nível de sonoridade voa muito entre o hip hop e a electrónica, são os meus terrenos. Tento sempre apresentar música nova, que na maior parte dos casos são produtores ou MCs que encontro no SoundCloud ou que um amigo que me mostra, coisas que nem sequer conhecia, que começo a ouvir a gostar. Tento também transmitir um pouco essa vertente mais de digger, mas de coisas de agora. Razões para criar o podcast: treinar, obrigar-me todos os meses a fazer um set diferente; e, não querendo dizer que o meu gosto é muito espectacular, querer transmitir boa música às pessoas. O feedback tem sido positivo, passei por várias plataformas durante estes dois anos.”

[WELCOME TO RIMAS E BATIDAS]

“A ideia é: isto sai no primeiro Domingo de cada mês no SoundCloud do Rimas e Batidas, onde ficará disponível para stream e onde toda a gente o poderá ouvir. A transmissão na rádio – via Rimas e Batidas na Antena 3 – será feita no Sábado imediatamente antes. Antes da meia-noite, o DarkSunnDays transforma-se num DarkSaturDays.”

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Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu