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Fotografia: Pedro Mkk

Mesmo sem conhecimento disso, a dupla já andava a ensaiar o isolamento.

D’Alva sobre “Só a Pensar”: “Por alguma razão que não sabemos, está completamente alinhada com os dias que estamos a viver”

Fotografia: Pedro Mkk

Em 2018, às portas de um novo disco, os D’Alva deram um grito punk. Dois anos depois, o duo livre, leve e solto de “Frescobol” regressa à pop oitentista, em modo balada e com direito a saxofone. “Só a Pensar” é o pontapé de saída para Somos, o terceiro álbum de Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro, com edição prevista para 13 de Novembro.

Alex e Ben entregam-se, respectivamente, à voz e à produção – uma lógica de trabalho desafiada desde Maus Êxitos, álbum que sucedeu à estreia em #batequebate (2014). A letra e a música são de ambos: a estrutura molecular por detrás do organismo synthwave. “O Ben estava a mostrar-me um sintetizador gratuito que vem com o Logic Pro X”, diz Alex D’Alva Teixeira ao ReB, “que a maior parte dos produtores considera uma ferramenta pobre”. É justamente esse infame Retro Synth que ajudou a dar forma ao single – e que lhe dá o arranque.

“Foi tão do momento, que não [planeámos preparar] uma canção para uma época em particular. Por alguma razão que não sabemos, está completamente alinhada com os dias que estamos a viver”. Apesar da premência do “isolamento, solidão e o porquê da Internet estar no centro da acção”, o duo já tinha fechado “Só a Pensar” no longínquo mês de Janeiro. No mesmo mês, Angie Silva realizou o teledisco, que leva o antagonista de “Física ou Química”, uma figura humana com um cubo de espelhos no lugar da cabeça, até espaços recônditos de Lisboa. “Passei muito frio”, ri-se Alex. “Parece que aproveitámos o período da quarentena para ir a sítios inóspitos e filmar, mas não foi isso que aconteceu.”



Ainda por acontecer estão também as restantes faixas de Somos, cuja “base de trabalho” é nada mais que apenas um conjunto de maquetes. Mas Alex e Ben já têm presente a natureza do disco. “Queremos fazer um álbum mais colaborativo, não só com quem toca connosco ao vivo, mas com outros artistas que fomos conhecendo ao longo destes anos” – algo a que o press-release alude, com comentários de Dino D’Santiago, Moullinex ou Selma Uamusse. “Não sabemos como é que isso vai funcionar e vai ser difícil perceber até que ponto poderemos estar juntos fisicamente, em segurança.”

Essa é uma de várias questões, entre as quais, por exemplo, a rentabilidade de um projecto independente como o seu: “Qualquer coisa com retorno monetário, eu quero ter a certeza de que tem a melhor qualidade que eu consigo providenciar”. Pode o prazo-limite de 13 de Novembro ser contraproducente? “É um desafio. Tenho noção de que não somos a única banda a auto-propor um álbum durante este período, em que a cultura e a música ainda estão de quarentena”. O que os separa de Charli XCX, que edita na próxima sexta-feira um álbum inteiramente feito no confinamento,  é uma grande editora e uma equipa proporcional: “No nosso caso, somos só duas pessoas a fazer tudo.”

Se o título expressa o ideal comunitário da pop – já um antigo conceito para os D’Alva –, o álbum terá que ser mais do que música. O que vai ser, afinal? Um universo de sons electrificado por pistas visuais e temáticas, que já começou na narrativa visual de “Só a Pensar”‘. “Será uma conversa interessante de ter daqui a uns tempos.”


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