Dälek, James Ferraro e Peter Evans na 16ª edição do OUT.FEST

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Direitos Reservados

O OUT.FEST já está à espreita. As associações culturais OUT.RA e Filho Único voltam a conspirar para a 16ª edição do Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, que ocorre de 3 a 5 de Outubro. Entre o primeiro pacote de confirmações num cartaz que terá entre 25 a 30 concertos, figuram nomes como Dälek, Ilpo Väisänen dos Pan Sonic, James Ferraro e Raw Forest.

No seguimento da edição de 2018, o director artístico Rui Pedro Dâmaso diz procurar “aproximar as músicas experimentais de um público não especializado”, e, dessa forma, aprofundar o contacto destes com os ouvintes mais informados. Os destaques iniciais atravessam um manancial de áreas sonoras sobrepostas e divergentes, do noise do sul de Inglaterra ao “hip-hop iniciático” de Nova Iorque.

Na salvaguarda da última sonoridade, contundente e abrasiva, estão os Dälek, de formação actual composta por MC dälek, DJ rEK e Mike Manteca. Discos como Negro Necro Nekros ou Abandoned Language registaram a sua fixação pelas margens do industrial, género em que os finlandeses Pan Sonic se sagraram inovadores. Enquanto metade desse duo, ao lado do desaparecido Mika Vainio — em memória do parceiro, gravou no ano passado o disco ÄÄNET —, Ilpo Väisänen segue rumo a novas “possibilidades tímbricas”, intersectando as coordenadas do dub com todos os planos imagináveis.



O conceituado trompetista Peter Evans não é nenhum desconhecido do OUT.FEST, tendo agraciado a sua edição de 2014 com um quinteto inesquecível. O músico avant-garde James Ferraro é outro destaque no cartaz. Foi há oito anos que o nova-iorquino lançou o caos com o polémico Far Side Virtual, o melhor álbum de 2011 para a The Wire, actualmente associado com a génese do vaporwave. Segue em 2019 com Requiem for Recycled Earth na bagagem, a primeira parte de uma tetralogia distópica de discos.

Num espaço meta-cibernético adjacente, opera a lisboeta Margarida Magalhães sob o nome Raw Forest, cuja electrónica “imersiva” a torna obrigatória nas festas Mina — e acaba de consubstanciar isso mesmo no EP Post Scriptum. Aficionados da estética do noise são o curioso duo pai/filha de Yeah You — Gustav Thomas e Elvin Brandhi, que já passou por Portugal e é uma colaboradora de Tony Allen, baterista de Fela Kuti — e a dupla lisboeta CANDURA, cuja parede sónica só raramente é apresentada ao vivo e que por norma ergue pontes entre o metal e o free jazz.

Também entram no alinhamento os irmãos punk Asger e Holger Hartvig, que em palco são os Brynje, que reactivam a sua residência artística no Barreiro nas duas semanas antes do festival. E se o NOS Primavera Sound poderá não ter tido sorte com a última confirmação de um outro fenómeno que também responde ao nome Kali, o OUT.FEST está seguro da sua aposta em Kali Malone: a cantautora com formação clássica é de Denver, pugnando por uma “recontextualização acústica, plástica e também simbólica” da guitarra, instrumento a que se entrega de corpo e alma.

Rodolfo Brito traz o seu projecto a solo, Luar Domatrix, que editou a cassete Non Glance pela naivety em 2018. A Discrepant descreve-a melhor que ninguém: “como um episódio de Ficheiros Secretos que deu para o torto; o Mulder está morto e uma Scully bêbeda conduz alegremente um disco voador.”


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