DaBaby // Baby On Baby

[TEXTO] Moisés Regalado

Se os Cool Kids tivessem continuado a galgar terreno com aquele ritmo desconcertante que os apresentou ao mundo, há já mais anos do que a memória deixa lembrar, o hip hop teria hoje uns quantos DaBabys — e que bem se estaria. A sua música é coisa séria, como em “No Tears”, mas suficientemente fora da norma para que combine com as referências estéticas mais arrojadas que DaBaby vai desfilando, como o jacto privado que decorou a preceito para “Goin Baby”.

Emo quanto baste, tão minimalista como qualquer artista de SoundCloud que se preze, e sempre pronto para rasgar os instrumentais sem grande ciência. Assim é DaBaby. Aqui, em Baby On Baby, o bounce mais trancado de “Taking It Out” ou “Pony” faz tanto sentido quanto a ginga de “Backend”’ ou “Walker Texas Ranger”, sem que as referências a Suge Knight ou Tupac soem deslocadas ou despropositadas — mesmo que a música pouco tenha a ver com a do ícone da thug life.



A síntese das suas diferentes facetas está em temas como “Joggers”. O instrumental, que até podia ter ido direitinho para Cardi B ou Tyga, num dos seus dias mais calmos, revelou-se perfeito para as trips de DaBaby e do surpreendente Stunna 4 Vegas, menos óbvias que as viagens dos seus camaradas do mainstream: “‘Cause you ain’t really with me, be honest/She know I’m a motherfuckin’ pimp/She don’t get steak and shrimp/B done took a lil’ bitch to McDonalds”.

O rap do rookie de Charlotte, agora a “jogar” pela Interscope, é fácil, para quem ouve e para o jogador de serviço — mas só porque é DaBaby a assumir o papel. Baby On Baby partilha a honestidade com os grandes e o compromisso com os maiores, facilmente identificável quando o trabalho fala por si mesmo, nas letras, nos beats e sem nunca ignorar vídeos ou conceitos, mais próximos do exagero de Busta Rhymes ou Redman que dos cartoons de um Hopsin desta vida.

O movimento está mais habituado a caras sérias com dicas engraçadas do que ao seu oposto e a presença de DaBaby é uma lufada de ar fresco. Porque sabe sorrir para a foto sem perder a postura, mas principalmente porque, numa altura em que as coreografias voltaram à música urbana em força, se apresenta com igual naturalidade quando fecha o semblante, como um verdadeiro bailarino que, curiosamente, nem se mexe assim tanto.


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