Da Chick sobre o concerto no Lux: “Apeteceu-me prestar um tributo a pessoas que eu admiro muito”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTOS] Hélder White

Da Chick sobe amanhã ao palco do Lux Frágil para apresentar ao vivo o seu mais recente projecto, Call Me Foxy. A actuação marca a estreia da Foxy Band em Lisboa e vai contar com vários convidados especiais.

No passado mês de Junho, a artista da Discotexas editava o trabalho que nos trouxe quatro temas novos em que colaborava com Saintard, um produtor francês que descobriu na Internet. Não descurando o conceito artístico transversal a todo o seu trajecto, o curta-duração trouxe um espírito descontraído em que se destaca a presença de influências tão distintas como o chill out ou as vibrações roots e dub do reggae.

Na sua passagem pelo clube de Santa Apolónia, Da Chick leva a sua Foxy Band para cima do palco, um conjunto composto por Gui Salgueiro, Pestana, Ariel, Sandro, Dinis, Cavalo e Mike El Nite. Mas há mais músicos que se vão juntar à festa, que está reservada para uma ovação ao funk com os artistas com mais groove do espectro nacional: João Gomes, Fresh Fred, Tamin, Silk e Tatanka vão tornar o projecto de Teresa Sousa mais orgânico em palco, para uma actuação que vai contar com algumas surpresas…

O Rimas e Batidas foi até aos estúdios da Discotexas para assistir a um dos ensaios para o concerto e aproveitou para trocar algumas palavras com Da Chick acerca de Call Me Foxy e do que nos reserva para a actuação de amanhã:

 


da chick


Lançaste o Call Me Foxy pela Discotexas em Junho. Criativamente, como surgiu esse EP?

O EP foi a vontade de lançar cá para fora coisas que andava a fazer já desde finais de 2016 e no início de 2017. E tinha muito essa vontade, por isso decidi lançar um EP, porque não me estava a apetecer esperar pelo que quer que fosse, então pensei que era fixe – ter uma música mais pop, uma música mais hip hop, uma música mais disco e outra mais psicadélica, como é a “Ride My Pussy (Wagon)”. O meu objectivo foi esse. Andava aqui com muita coisa para expressar e acho que o EP é um bocado isso. Aborda temas um bocado mais livres, coisas mais objectivas, como a “Let ‘Hem Talk”, a falar aos haters. Há um bocadinho de tudo. E acho que, em termos de sonoridade, continua a ser Da Chick, que é o meu grande objectivo para já. Trouxe umas sonoridades novas, porque trabalhei com um produtor com quem nunca tinha trabalhado – o Saintard, um produtor francês que conheci na Internet – e tudo isso ajudou a fazer surgir uma nova Chick, de certa forma.

Não descolando do conceito de Da Chick, mantiveste a boa vibe, mas trocaste o lado festivo por um registo mais laid back. Como se deu essa alteração?

Eu não me apercebo disto, mas depois, quando olho para trás, consigo tirar algumas conclusões. Como por exemplo a Da Chick ter agora a Foxy Band. Eu sei que toda a minha carreira, aos poucos, vai-se tornar cada vez mais… Eu não queria dizer menos electrónica, porque a minha música continua a ser música electrónica, mas eu sempre assumi que o meu sonho era ter uma banda de funk a sério, com 20 pessoas em palco, e eu sabia que isso, aos poucos, ia acontecer. E isso também se nota nas músicas feitas em estúdio. Têm sonoridades cada vez mais analógicas e menos digitais. Sinto que estou a ser puxada para esse lado. E isso reflecte-se no EP.

 



Juntaste um grande número de convidados para esta apresentação ao vivo no Lux. Será a primeira vez que te cruzas com alguns deles em palco?

São convidados com os quais já trabalhei, de certa forma. Uns mais directamente, como é o caso do João Gomes ou do Fresh Fred, com quem fiz uma música para o álbum dos Orelha Negra e dos HMB, respectivamente. São pessoas com as quais eu já tive em estúdio. Com os Cais do Sodré Funk Connection, encontramo-nos bastantes vezes em concertos, nos backstages, mas nunca tinha partilhado o palco com eles até eles me convidarem para o concerto deles que aconteceu no Coliseu há umas semanas. Essa foi a primeira vez que estive com eles em palco, mas já estava a pensar neles para esta colaboração. O objectivo era ter convidados que fossem funky e que fizessem sentido estarem ali. De certa forma, isto para mim é um tributo a essas pessoas, porque eu sou mesmo fã dos trabalhos deles. O Tatanka é a pessoa que eu conheço há menos tempo. Foi no concerto dos Cais do Sodré Funk Connection e criámos logo uma empatia os dois, ele cantou-me a “Call Me Foxy” e eu disse-lhe logo que queria que ele viesse ao Lux no dia 8. “Só se for para cantar a ‘Call Me Foxy,’” e eu disse “bora!” E foi isso. Não me apetecia estar a convidar pessoas muito próximas. Já fiz uma coisa desse género no ano passado, no Musicbox, quando convidei a team toda da Discoexas. Este ano apeteceu-me prestar um tributo a pessoas que eu admiro mesmo muito, que são estes músicos. E eu tenho mesmo de lhes retribuir esse carinho que tenho por eles, e o quanto eles me influenciam enquanto música. Vai também ser a estreia da Foxy Band em Lisboa.

E o que reservas para esse concerto?

Vai ser em torno de tudo. Músicas de Da Chick desde o Curly Mess até agora. E vou também abordar temas que não são meus… Algumas coisas inéditas, tendo em conta os convidados.

 


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Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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