Co$tanza fez “uma ode à Linha Verde e à sua beleza bizarra”

[TEXTO] Francisco Couto [FOTO] Xipipa

Na metrópole lisboeta são muitos os nichos que se encontram, safe spaces e zonas de conforto onde se geram diferentes meios culturais em diferentes zonas que são unidas por estradas à superfície e vias subterrâneas que se podem percorrer em diferentes transportes públicos que nos levam ao encontro desse pluralismo cultural, por vezes até em pouco mais de meia hora. Debaixo do solo, a Linha Verde é talvez o percurso com mais substância das quatro linhas que se espalham por Lisboa: desde uma Telheiras urbana, passando pela afluente e moderna Avenida de Roma, mudando na Alameda para a multicultural Avenida Almirante Reis, culminando no mítico Cais do Sodré. Se percorrermos todo este percurso deparamo-nos com as diferentes faces desta cidade, algumas mais prejudicadas pela gentrificação outras ainda resistentes com as suas cantinas vegan e anarquistas com refeições low cost.

Foi nesta linha que Miguel Costa, sob o nome artístico de Co$tanza, encontrou inspiração para criar o seu primeiro álbum, Linha Verde, lançado recentemente com o selo da produtora lisboeta Maternidade. O projecto é composto por 13 faixas, cada uma com o nome de uma das estações que fazem a linha no sentido Telheiras – Cais do Sodré, e, durante 26 minutos (as faixas têm uma duração aproximada da viagem que é feita entre estações), navegamos pelo universo da músicas dos videojogos, que se alia às influências mundanas que o rodearam nos últimos cinco anos.

Falámos com o produtor sobre o seu novo projecto, as suas influências, o seu futuro e ainda um pouco de Seinfeld.



O que te motivou a fazer um álbum sobre a Linha Verde?

Como sou de Telheiras, estudava no Cais e “chillo” bastantes vezes com os meus buds pela Almirante Reis, decidi fazer uma ode à Linha Verde e à sua beleza bizarra. Mocas…

A escolha do teu nome artístico remete-nos rapidamente para Seinfeld, qual é a tua relação com a série e com o personagem?

Em primeiro lugar: grande TV Show, papo todas as temporadas uma vez por ano; em segundo, há um episódio de Seinfeld em que o George conhece uma lady aleatória no metro e, em vez de ir a uma reunião importante de trabalho, foi com ela para um quarto de hotel e acabou algemado à mesa de cabeceira, só de cuecas. Isto revelou-se ser um esquema para lhe roubar dinheiro. Quando ela descobriu que ele só tinha oito dólares na carteira, roubou-lhe o fato. Identifico-me bastante com isso.

Em pleno 2019 não é comum encontrar álbuns com a sonoridade videojogo 8bit que o Linha Verde tem. O que te motivou a enveredar por esta sonoridade?

Eu tive esta ideia no início de 2018, mas só comecei a compor o disco no final desse ano. Ouvi bastantes soundtracks de videojogos (Secret of Mana, Chrono Trigger) e notei que bastantes artistas dentro da editora Brainfeeder influenciavam-se muito em sonoridades 8bit. Achei interessante as suas abordagens e quis fazer a minha própria versão.

És também responsável pela criação de beats hip hop para projectos como o do Chico da Tina, que contrasta bastante com a sonoridade deste álbum. Sentes muitas diferenças nos processo criativos destes dois projectos? 

Não acho que haja grande diferença, o processo é sempre o mesmo: Ableton e toca a andar.

Quais são as tuas maiores influências? E dentro delas, quais sentes reflectirem-se mais na sonoridade do álbum?  

Para além dos que já referi, acho que o Simão Simões, um grande amigo e produtor, foi um elemento-chave na construção desta ideia.

A tua percepção do que é este álbum é a tal ode à Linha Verde: uma banda sonora para ouvirmos enquanto a percorremos ou um mero instrumento de inspiração criativa? 

É um pouco das duas. O disco é uma banda sonora para a Linha Verde, mas compus as músicas com base na vibe que cada estação/zona me dá. É inspirado na minha vida nos últimos cinco anos, de certa forma. 

No dia 16 de Outubro, na apresentação de Linha Verde no Lounge, vais dirigir uma orquestra MIDI, a Co$tanza’s Post-MODEM Orchestra. Que orquestra é esta?

É uma orquestra composta pelos meus buds da nossa editora independente, Discos Volta e Meia. Guilhermenz, Bejaflor, CasaXangai e Thomaz são esses membros. Vou orquestrá-los e será tudo em MIDI.

Tens algum plano em relação a seguir este tipo de sonoridades nos teus próximos possíveis lançamentos?

Tou a pensar entrar na cena do footwork e misturá-lo com 8bit e trap. Mas ainda não sei.


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