Digital

CJ Fly

RUDEBWOY

Pro Era / 2020

Texto de Paulo Pena

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Corria o ano 2012 e Joey Bada$$ e CJ Fly, à boleia de Lô Borges em “Tudo Que Você Podia Ser”, cantavam “com sol e chuva” na mixtape de estreia do primeiro, 1999. De “Don’t Front” a “RUDEBWOY”, passaram oito anos. Porém, a gana e genica destes “miúdos” continuam intactas: há sangue na guelra da Pro Era, e há coisas que felizmente nunca mudam. “Still The Motto”! Apesar das várias mixtapes, tanto em grupo como em nome próprio, só agora chega RUDEBWOY, o álbum de estreia a solo de Chaine St. Aubin Downer Jr. E, para tal, teve que se dar o devido salto. Afinal de contas, existem sempre vários degraus antes de chegarmos à plataforma. Por isso, o rapper nova-iorquino chamou a “ajuda” de Statik Selektah, o produtor que apadrinhou desde o início um dos colectivos mais promissores da Beast Coast e que assumiu a produção integral deste projecto. Aliado às batidas de Statik, CJ beneficiou ainda das rimas de várias vozes inconfundíveis, nomeadamente de T’nah, Joey Bada$$, Haile Supreme, OSHUNKirk KnightConway The Machine, e ainda de outros membros da Pro Era que contribuem na conclusão do álbum, numa preenchida posse cut RUDEBWOY é uma mistura dos sabores que educaram CJ Fly, desde o rap da capital do hip hop, às raízes jamaicanas que correm nas suas veias, passando ainda pelo soul e r&b que marcaram as paredes que viram nascer qualquer rapper nascido no final do século passado. CJ pertence à geração dourada que recebeu o testemunho sagrado e cujo peso se sente nos ombros como se carregasse os arranha-céus de Brooklyn às costas. Ainda assim, a Pro Era desde cedo se destacou como um conjunto de discípulos à altura do imponente legado, e CJ Fly não foge à regra, nem à responsabilidade.   O cunho de Statik Selektah é evidente, e necessário para que seja feita mais uma ponte em Brooklyn – esta liga a sonoridade de Nova-Iorque às mais variadas que compõem este disco frutado. É a grande vantagem de ter um único produtor ao leme: há espaço para explorar vários caminhos sem se perder a direcção. Mas se há legado a manter e respeitar, entre tantas participações há que destacar a quota de Conway neste projecto. De mais velho para mais novo, de Griselda para Pro Era, cruzam-se duas gerações da “City We From”, em que o testemunho não é transmitido, mas sim partilhado. Real recognize real.  Se o rap do Captain Fly transpareceu, desde sempre, a sua aptidão para distribuir 16 barras de cada vez, RUDEBWOY revela, sobretudo, uma maturação a nível musical. É um disco que espelha a versatilidade de CJ Fly, e a facilidade com que sai da sua zona de conforto – da fórmula clássica herdada em Brooklyn – para sobressair como mais do que um bom rapper, já que, nesta era do consumo rápido, por vezes, ser bom não chega para vingar. Desta forma, o membro e fundador da Pro Era sorri para outros ouvintes, apontando além do nicho fiel que o segue, assim como aos seus parceiros, desde o início. Provou, a si e a quem o ouve, que sabe mais do que sempre soube, e RUDEBWOY é o bilhete de ida para destinos fora da “big city”. No entanto, a “big city” nunca sai de quem lá veio. Nova Iorque não abandona os seus filhos, e CJ Fly será sempre um “rudebwoy” de Brooklyn, como o próprio nos garante: “I’m a rude boy, and I ain’t gon’ change”.

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