A Casa Capitão lançou para cima da mesa um par de nomes internacionais de relevo que vão subir ao palco do seu espaço em Lisboa nos próximos meses: Oddisee (dia 24 de Maio) e Júlia Mestre (dia 13 de Agosto).
A trajectória de Oddisee deu uma grande volta desde Odd Cure (2020), trabalho em que assumiu a independência total da sua arte ao carimbar o lançamento pela sua própria Outer Note Label, durante o isolamento da pandemia e após uma longa temporada ao serviço da Mello Music Group. Após solidificar a sua autonomia, o rapper e produtor presenteou os fãs com a solidez orquestral e reflexiva de To What End (2023), um disco que aprofundou a sua maturidade lírica e musical, e em 2024 surpreendeu tudo e todos ao adoptar uma abordagem mais despojada e intimista com Odd Sketches, Vol. 1, uma compilação de demos e ideias instrumentais que nos permitiu espreitar o seu laboratório criativo. Pouco depois e ainda no mesmo ano, And Yet Still viu a luz do dia antes do regresso do artista à Mello Music Group para editar En Route, em 2025. Com mais de uma dezena de álbuns num currículo que começou a ser delineado há duas décadas atrás, Oddisse regressa a Lisboa como um dos mais sólidos representantes do hip hop alternativo norte-americano e traz consigo para o palco o produtor Heno. e a banda Good Company, tendo como espectáculo de abertura uma performance do beatmaker japonês-francês Mayaewk.
No caso de Júlia Mestre, todas as atenções se centram no mais recente e aclamado MARAVILHOSAMENTE BEM, o seu terceiro LP em nome próprio editado há quase um ano atrás. A obra veio consolidar a reputação da artista num momento de luminosa maturidade criativa, onde a sofisticação e a coesão sonora se alinham para criar um registo que é, ao mesmo tempo, uma celebração da pista de dança e um espelho da sua sensualidade e vulnerabilidade. Repleto de grooves pulsantes e atmosferas intimistas de baladas românticas, prestando uma homenagem às estéticas da disco e da pop, há uma diversidade de tons musicais que percorre todo o alinhamento do sucessor de ARREPIADA (2023), fazendo deste MARAVILHOSAMENTE BEM o título mais seguro e coeso da discografia a solo de Júlia Mestre.