A caminho do Nova Batida 2018 com Gilles Peterson

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Laura Lewis

Gilles Peterson é, acima de tudo, um melómano. Explorador das diferentes geografias musicais, Peterson tornou-se um daqueles nomes a quem recorremos sempre que precisamos de novas (e infalíveis) sugestões de música que normalmente descrevemos como “fora-da-caixa”. Não é por acaso que tem mais de três milhões de seguidores no SoundCloud, um número absolutamente astronómico para alguém que está mais preocupado em dar protagonismo aos outros, em, como ele gosta de dizer, “unir os pontos”.

No próximo sábado, o radialista/produtor/ DJ/coleccionador/divulgador estará em Lisboa para a primeira edição do festival Nova Batida, e traz o MC General Rubbish para acompanhá-lo no seu set. Antes do regresso a Portugal (passou pelo Musicbox, em 2016, por exemplo), o fundador da editora Brownswood Recordings respondeu a seis perguntas por e-mail e abriu um pouco do seu “jogo” ao Rimas e Batidas.

 



Para alguém que já passou por diferentes eras do mundo da música, esta é a melhor altura para um consumidor ávido? 

Se tiveres tempo para gastar e explorar, esta é, indubitavelmente, a melhor altura de sempre. Quem me dera ter mais tempo!

Tens uma maneira predilecta de ouvir música? 

Eu aprecio todas as maneiras: pode ser de forma rápida através de um download; sentar-me e colocar a agulha no disco; ir ao Albert Hall. Também aprecio correr e ouvir os sons da cidade.

Qual foi a última banda/artista que te deixou de boca aberta?

Eu estou a gostar verdadeiramente de tudo o que o Skinny Pelembe está a lançar pela minha editora Brownswood. Ele está constantemente à procura de novas maneiras de abordar as suas ideias. Fico bastante entusiasmado com a sua música!

Achas que o papel de “curador” musical é mais importante do que nunca no apocalíptico universo digital? Revês-te nessa posição?

Acho que sou visto como uma porta de entrada para outros mundos musicais através do meu programa de rádio. Como DJ, estou mais preocupado com a estética sonora que vou desenvolvendo ao longo do ano.

Cinco músicos portugueses que te tenham impressionado. 

Maria João, Bitori, Cesária Évora, Buraka Som Sistema e os artistas da Príncipe.

O que é que podemos esperar da tua actuação no Nova Batida?

Tenho estado a trabalhar na nova música da Sonzeira com o Kassin e os seus amigos, e estou ansioso para mostrar algumas dessas coisas…