Cakes Da Killa: “A minha música muda consoante o meu humor, mas é sempre rap”

 

[FOTO] Drew Gurian

 

É inevitável olhar para Rashard Bradshaw e não encontrar uma ousadia juvenil. Cakes Da Killa tem 24 anos, faz música desde 2011 – “há uns quatro ou cinco anos, já nem sei bem. Com o passar do tempo as coisas ficam muito desfocadas”, ri-se. Encontrou na música e na escrita o melhor catalisador para as indefinições juvenis e uma forma de expressar dúvidas, revoltas, amores e desamores. Começou por fazê-lo de forma quase ingénua – no EP de estreia Easy Bake Oven – mas a forma crua e directa da sua escrita fê-lo tornar-se num objecto de curiosidade.

Entre EP e mixtapes, Cakes tem vindo a ganhar o seu espaço. Muitos insistem em pô-lo na prateleira do sub-género do queer rap, ao lado de nomes como Zebra Katz, Le1f e Mykki Blanco – uma orientação sexual também serve para categorizar um género musical? “É injusto!”, diz a sorrir, nesta entrevista ao Rimas e Batidas antes de subir ao palco do Musicbox, em Lisboa, onde fez a estreia em Portugal.

Talvez o traço mais extravagante da sua música seja mesmo o lado da estética. Piercings dourados na boca e no nariz, unhas pintadas, calções de pele e uma bolsa ao ombro fazem com que os olhos se desviem para Rashard quando entra num Musicbox ainda vazio, fechado, apenas preenchido pela correria logística de quem vai abrir as portas. Tempo para um último teste de som e vermos como está a soar o sistema. E abrem-se os olhos de espanto: o DJ dispara um primeiro sample e Cakes reage, revelando-se, logo ali, na mesma sala ainda fechada ao público, um monstro de palco: poderoso nas rimas rápidas, passeia-se pelo palco a olhar para o fundo da sala que iria receber fãs, curiosos e outros que simplesmente se passeia pela noite do Cais do Sodré, mas que gostam de ver o que se passa.

Antes de tudo isto, uma conversa rápida – divertida com a confissão de que já estava sob o efeito de uma ligeira alteração etílica – para nos falar de si, da sua escrita, dos seus EP e mixtapes, particularmente o mais recente EP #IMF – sigla para “In My Feelings” – um EP fresco, explícito – emocional e sexualmente – e que pode deixar muitos de queixo caído.

 

Bruno Martins

Sou jornalista desde 2003. O hobbie da música vem de garoto e há um bom par de anos que cruzo tudo em papéis. Tudo se mistura nesta mixtape cheia de scratches que é a vida.