Buraka Som Sistema, Capicua, Da Weasel, Mind Da Gap, Sam The Kid ou USL em livro da Antena 3


São cerca de 250 páginas recheadas de textos de gente ligada à rádio sobre discos que cobrem as oito décadas de rádio pública em Portugal e que compõem a obra colectiva Cento e Onze Discos Portugueses – A Música na Rádio Pública. Álbuns que percorrem um rico alfabeto que se estende de Adriano Correia de Oliveira ou Aldina Duarte aos Underground Sound of Lisbon, Vitorino e Xutos & Pontapés e que cobrem o alargado espectro que se estende do fado ao rock, do jazz à pop, da música popular à música erudita incluindo, pois claro, representantes vários dos campos da electrónica e do hip hop.

Os textos são assinados por uma alargada selecção de autores que têm em comum terem uma umbilical ligação à rádio, de Adelino Gomes e Álvaro Costa a Viriato Teles e Zé Pedro, incluindo ainda nomes como Nuno Reis, Henrique Amaro e Luís Oliveira – o trio de dirigentes da estação pública que foi igualmente o principal instigador deste projecto – ou Isilda Sanches, Nuno Galopim, Mário Lopes, Ricardo Saló e Rui Miguel Abreu, o director do Rimas e Batidas.

Nuno Reis, responsável máximo pela Antena 3, explicou ao Rimas e Batidas como nasceu este projecto: “Só pensámos na missão de serviço público quando decidimos avançar para tão ambiciosa empreitada. A ideia do livro foi mesmo a de, numa data mais ou menos simbólica como os 80 anos da rádio em Portugal, fazer um apanhado de alguns dos discos mais marcantes da história da música portuguesa, tentando tocar em vários territórios, com atenção especial à música popular. Não queríamos ganhar dinheiro (nem vamos ganhar), nem ganhamos mais audiências com a edição deste livro. Queríamos mesmo fazer uma obra que guardasse para memória futura uma lista – neste caso de 111 – com alguns dos discos mais marcantes da música portuguesa, e que tiveram lugar de destaque nas emissões da Antena 3, mas também das Antenas 1 e 2”, adiantou.

O livro Cento e Onze Discos Portugueses surge num momento particularmente vibrante da cena musical nacional, tal como Nuno Reis faz questão de frisar: “Acho que o momento atual, apesar dos muitos problemas e dificuldades, é incomparável com o final dos anos 80 quando comecei a trabalhar na rádio. A web, as novas tecnologias de produção, o acesso absolutamente livre a toda a música que se produz, levaram a esta explosão de criatividade que dispara em todos os sentidos, que salta fronteiras, que cruza influências sem complexos”, explica o radialista. “Vivemos realmente um período excitante, cheio de novos desafios, que permitiram à música portuguesa dar um salto qualitativo e em quantidade, visíveis na vitalidade crescente da nossa cena musical. Enquanto diretor da Antena 3, cuja missão principal é apostar na nova música portuguesa, revelar novos talentos e fazê-los crescer, é um prazer absoluto assistir e, de alguma forma, participar neste momento empolgante”.

 


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“O livro nasceu de uma conversa entre mim, o Henrique Amaro e o Luís Oliveira”, prossegue Nuno Reis, “sobre a forma como na Antena 3 poderíamos assinalar os 80 anos da rádio pública em Portugal. A ideia de uma lista de 80 discos portugueses pareceu-nos mais ou menos óbvia, e rapidamente pensámos que isso poderia ser editado em livro. A esta ideia simples, a que a FNAC se associou, juntámos mais algumas camadas só para tornar a coisa mais estimulante… e também mais complicada. A ideia inicial era formar uma pequena equipa para escolher os 80 discos e uma mini-redacção para escrever um texto sobre cada um. Feita a lista, o Henrique lembrou-se que o ideal era entregar os textos a malta da rádio, de várias gerações, com ligações afectivas a cada um dos discos. Foi aqui que o monstro cresceu. A ideia foi acolhida com entusiasmo, os convites feitos e aceites, e a lista de colaboradores cresceu para mais de 50 (porque há pessoas que escrevem sobre mais do que um disco). E os prazos, à boa maneira portuguesa, foram dinamitados. Não contentes, aumentámos a lista para 100, e, já com a meta à vista, o Henrique acrescentou mais 11 discos”.

E montar uma obra assim, com excelente capa e design gráfico assinado por Susana Fernando, “foi uma aventura”, confessa Nuno Reis, “que derreteu muitos neurónios”. “Mas agora que está fechada, nas lojas, que já fizemos a festa com quem participou connosco nesta empreitada e com os músicos que nos deram a matéria prima, o sentimento é mesmo de orgulho”, explica ainda. “Um orgulho babado por sentirmos que realmente produzimos uma obra consistente, interessante, bonita e que serve de espelho para o muito que fazemos diariamente no serviço público pela música portuguesa. Seguramente faltam muitos discos, cometemos algumas injustiças e podemos ser criticados por isso (e seguramente vamos ser, como é habitual em tudo o que diga respeito ao serviço público). Contudo, é a nossa pequena homenagem à música portuguesa que tantos bons discos nos deu e vai continuar a dar”.

Os leitores do Rimas e Batidas gostarão de saber que discos de artistas e bandas como António Variações, Bruno Pernadas, Buraka Som Sistema, Capicua, Cool Hipnoise, Da Weasel, GNR, Heróis do Mar, José Cid, Megafone, Mind Da Gap, Mler Ife Dada, Ocaso Épico, Orelha Negra, Pedro Abrunhosa & Bandemónio, Pop Dell’Arte, Rodrigo Leão, Sam The Kid, Tantra, Telectu ou Underground Sound of Lisbon – para citar apenas os que mais claramente envolveram sintetizadores, caixas de ritmos, samplers e computadores nas suas criações – se encontram na lista transformando por isso mesmo este livro numa ferramenta de referência incontornável.

O livro tem chancela da Antena 3 em colaboração com a Edições Afrontamento e a Fnac e poderá em breve ser adquirido nas lojas.


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