Inicialmente pensado como uma trilogia, o Cinema Imaginado de Bruno de Almeida chegou oficialmente ao quarto volume. Ao todo, o alinhamento integra uma dezena de composições fluidas que se expandem através de diferentes géneros musicais. É mais um capítulo deste universo cinematográfico musical que apresenta, como capa, o retrato de um protagonista, munido de uma boombox, no metro de Nova Iorque — cidade que foi casa (e musa inspiradora) do cineasta e músico português ao longo de várias décadas.
“Para onde vai ele? Mister Boombox. Nos seus blue suede Clydes. Esses kicks não são apenas ténis. São Cadillacs para os pés! Quero saber. Quem é ele? Monsieur Le Panache. Ele combina a postura de uma prima-bailarina do Bolshoi com o olhar leonino de um matador a avançar para o golpe final. Aposto que não é um cliché musical a rodopiar em piruetas, o nosso Señor Boombox El Mustachio. Mas sim o herói da sua própria banda sonora mutante — à deriva entre solilóquios etéreos de piano que falam sem dizer uma palavra; linhas gargantuais de sintetizador analógico a ressoar tão fundo que se fundem com o rugido das pistas; composições enigmáticas alimentadas por mistérios lusitanos; e paisagens sonoras expansivas aparentemente ejectadas dos buracos negros de distantes galáxias de sombreros. Ou das profundezas de um oceano de celulóide. Imagino que esteja, na verdade, à espera que um comboio subterrâneo supersónico chegue à sua estação de rádio interior, para poder saltar para dentro e continuar um itinerário musical não muito distante daquele que foi traçado especialmente para si, neste episódio da nossa odisseia cine-sónica. Boa viagem!”, lê-se nas liner notes assinadas por Frank Coelho, claramente a partir da capa do quarto volume de Cinema Imaginado.
Desta vez, para o acompanhar na execução das suas composições, Bruno de Almeida, que esteve ao leme dos teclados, convocou os músicos Graham Haynes (corneta, electrónica), Ricardo Toscano (saxofone), Mário Franco (baixo e contrabaixo), Óscar Graça (piano, teclados), Luís Figueiredo (piano), Mário Delgado (guitarra eléctrica), Eduardo Cardinho (vibrafone), Miguel Bernat (marimba), Gonçalo Bicudo (baixo), José Salgueiro (bateria), André Sousa Machado (bateria), Iúri Oliveira (percussão), Ana Pereira (violino), Ana Filipa Serrão (violino), Joana Cipriano (viola), Ana Cláudia Serrão (violoncelo) e Nuno Abreu (violoncelo). Todas as composições são de Bruno de Almeida, excepto o tema “Parallax View”, que foi construído em parceria com Graham Haynes e Mário Franco, co-produtores do disco.
O volume quatro de Cinema Imaginado é dedicado à memória de Maria José Branco, reputada figura do meio cinematográfico português, responsável pelos cenários e figurinos de dezenas de filmes, que partiu em 2025.